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domingo, 5 de abril de 2020

QUEM NÃO CONHECE SEVERINA XIQUE-XIQUE?

Foto: Reprodução/Paraíba Criativa


Luiz Gonzaga, como já citado diversas vezes neste blog, foi cantado em verso e prosa por vários artistas do mais distintos estilos no Brasil e fora dele. Ainda mais quando algum(a) cantor(a) é consagrado no mesmo ritmo do Rei do Baião. E hoje, dia 05 de abril, é o aniversário de um desses expoentes musicais que é um patrimônio nacional da cultura com sua irreverência e talento: Genival Lacerda, paraibano de Campina Grande nascido nesta data em 1931. 

Genival começou sua carreira ainda nos anos 50 em Pernambuco e, depois, rumou ao Rio de Janeiro tendo como orientador e inspiração outro rei, o do ritmo Jackson do Pandeiro - que também era seu concunhado na época. Forró, xote, baião, xaxado, coco e rojão com bastante duplo sentido (não confundir com a vulgaridade dos dias de hoje nas músicas) fazem parte de seu repertório nos shows e gravações até os dias atuais com seus incríveis 89 anos!

Gravou seu primeiro disco ainda em 1955 com "Coco de 56", pela gravadora Mocambo, obtendo sucesso e começando a despontar no cenário musical brasileiro. Até seguir para o sudeste ainda fez várias gravações, dentre elas "Dança do bombo" e "Balança o coco", ambas de de Antônio Barros;  "Noé, Noé" e "Coco de roda", autorias de Rosil Cavalcanti; e  "Tomaram o meu amor", composição sua com Antônio Clemente.

Como já dito, Genival Lacerda foi viver o Rio de Janeiro para dar continuidade à sua carreira de músico e estar mais perto das gravadoras com maior alcance no país. Na então capital federal passou a fazer apresentações em casas de shows e chegou a gravar um disco. Mas sua música estourou mesmo no Brasil inteiro a partir de 1975, quando gravou a clássica "Severina Xique-Xique" em parceria com João Gonçalves, alcançando muito sucesso com vendagem de discos à época. 


Foto: Reprodução/Overmundo


Também conhecido como "Senador do Rojão", Genival Lacerda é um dos ícones da cultura popular musical brasileira por seu estilo e por sua performance nos palcos, inclusive com seu vestuário colorido, seu chapéu e quando balança a folclórica "pança" durante suas apresentações. Seu filho João Lacerda também segue os passos do pai pelos palcos do país.

Depois de "Severina Xique-Xique", o veterano forrozeiro ainda gravou outros sucessos estrondosos como "Radinho de pilha", de Nicéas Drumont e Graça Góes (1979); "Rock do Jegue", de Bráulio de Castro e Célio Roberto (1979); "Mate o véio mate", de sua autoria com João Gonçalves (1984), "Caldinho de mocotó", de sua autoria com Cecília Nena e Nicéas Drumont (1985); "Fio Dental", composição sua com Jorge de Altinho (1987); e "Carro velho é fubica", de Osmar Navarro e Graça Góes (1987) - neste disco contou com a participação dos mestres Sivuca e Dominguinhos nos arranjos e gravações; entre outros.

Também gravou e cantou ao lado de grandes nomes da música brasileira, como Marinês, Dominguinhos, Sivuca, Waldonys, Pinto do Acordeon, Ivete Sangalo, Elba Ramalho, Jackson do Pandeiro e, claro, o Rei do Baião Luiz Gonzaga, além de ter vários sucessos gravados por outros artistas e bandas. 

Ao todo, Genival Lacerda gravou 52 discos em quase 70 anos de carreira e ainda participou de 3 filmes interpretando ele mesmo - "Vamos cantar disco, Baby", dirigido por J. B. Tanko (1979); "Made in Brazil", com direção de Francisco Magaldi, Carlos Nascimbeni e Renato Pitta (1985); e "Beijo 2348/72", dirigido por Walter Rogério" (1990). Além de um documentário sobre sua vida e obra em "O rei da munganga" de 2009, sob a direção de Carolina Paiva.


Foto: Reprodução/Sistema Nordeste de Notícias


Em 2017, Genival Lacerda recebeu um justíssimo reconhecimento por toda sua trajetória e pelo que significou - e ainda significa - para a arte brasileira. Recebeu das mãos do então presidente da República Michel Temer e da primeira-dama Marcela Temer a medalha de Ordem do Mérito Cultural (OMC), uma honra concedida a personalidades - brasileiras ou não - que contribuíram de forma importante para a cultura nacional.

E como todo ícone musical brasileiro que se preza, Lacerda não podia deixar de fora de seu repertório Luiz Gonzaga, já que trilhou seu sucesso nos ritmos eternizados pela voz e sanfona do Rei do Baião, assim como no pandeiro de Jackson do Pandeiro. 

Genival e Gonzaga nunca gravaram juntos em disco, mas o Senador do Rojão até os dias atuais inclui em suas apresentações as músicas do sanfoneiro pernambucano. 

Foto: Reprodução/Forró em vinil


Genival lacerda gravou várias músicas de Luiz Gonzaga ao longo de seus mais de 60 anos de trajetória e lançou um CD exclusivamente com a obra de Gonzagão em 2012 com a participação de vários artistas convidados e contendo 16 faixas.

Então fica aqui a nossa homenagem ao aniversariante do dia com vídeos de um de seus grandes sucessos e de obras-primas de Luiz Gonzaga.




Severina Xique-Xique - Genival Lacerda/João Gonçalves (1975)


"Quem não conheçe Severina Xique-xique,
que botou uma boutique para vida melhorar.
Pedro Caroço, filho de Zé Vagamela,
passa o dia na esquina fazendo aceno para ela.

Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!

Antigamente Severina,
coitadinha, era muito pobrezinha,
Ninguém quis lhe namorar.
Mas hoje em dia só porque tem uma boutique,
pensando em lhe dar trambique,
Pedro quer lhe paqueirar."

Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!

A severina não dá confiança a Pedro,
Eu acho que ela tem medo de perder o que arranjou.
Pedro Caroço é insistente, não desiste,
na vontade ele persiste, finge que se apaixonou

Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!




Riacho do Navio - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1955) 


"Riacho do Navio corre pro Pajeú 
O rio Pajeú vai despejar no São Francisco 
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar 
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar. 

Se eu fosse um peixe, ao contrário do rio 
Nadava contra as águas e nesse desafio 
Saía lá do mar pro Riacho do Navio 
Eu ia diretinho pro Riacho do Navio 

Pra ver o meu brejinho 
Fazer umas caçadas
Ver as pegas de boi 
Andar nas vaquejadas 
Dormir ao som do chocalho 
E acordar com a passarada 

Sem rádio e sem notícia
Das terras civilizadas
Sem rádio e sem notícia 
Das terras civilizadas"



Forró no escuro - Luiz Gonzaga/Miguel Lima (1958) 


"O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
A sanfona não parou
E o forró continuou. 

Meu amor não vá simbora
Não vá simbora
Fique mais um bocadinho
Um bocadinho
Se você for seu nego chora
Seu nego chora 
Vamos dançar mais um tiquinho
Mais um tiquinho. 

Pois quando eu entro numa farra
Num quero sair mais não
Eu vou até quebrar a barra
E pegar o sol com a mão."



São João do Carneirinho - Luiz Gonzaga/Guio de Moraes (1962)


"Eu plantei meu milho todo 
No dia de São José 
Se me ajuda a providência 
Vamos ter milho a grané 
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé.

Ai, São João!
São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José
Fale lá com São José
Peça pr'ele me ajudar
Peça pro meu milho dar
Vinte espigas em cada pé."


sexta-feira, 20 de março de 2020

O DIA DE SÃO JOSÉ

Imagem: Reprodução/Canção Nova


Ontem foi 19 de março, uma data de muita importância para o nordestino, sobretudo o sertanejo - o dia de São José. Segundo a cultura dos lavradores e agricultores ao longo das gerações, a louvação ao pai de Jesus Cristo no plano terrenos se dá pelo fato da crença que em caso de chuvas no sertão nesta data é porque haverá bom inverno e, consequentemente, boa colheita e fartura na mesa. 

José era carpinteiro e hoje é considerado o "padroeiro dos trabalhadores". E por ter se dedicado como o verdadeiro pai de Cristo e fiel à sua esposa Maria também é venerado como "padroeiro das famílias.

De acordo com a Bíblia, o santo da Igreja Católica inicialmente não recebeu de boa vontade a notícia da gravidez de Maria de um filho que não era seu, já que ela lhe estava prometida em casamento e ainda não haviam tido qualquer relação conjugal até então. A partir deste fato José passou a ignorá-la. Eis que um anjo apareceu-lhe em sonho e o convenceu a aceitar a graça recebida pelo Espírito Santo e recebeu de volta sua companheira.

Luiz Gonzaga, sempre atento e fiel aos costumes nordestinos, citou São José em diversas músicas de seu repertório. Dentre elas as mais conhecidas são "São João do Carneirinho", em parceria com Guio de Morais (1952); "Triste partida", de Patativa do Assaré (1964); e "Procissão", de Gilberto Gil (1971).

Confira abaixo uma dessas canções do Rei do Baião em que ele evoca a tradição nordestina de esperar uma boa colheita pela intervenção divina de São José.




São João do Carneirinho - Luiz Gonzaga/Guio de Morais (1952)


"Eu plantei meu milho todo no dia de São José
Se me ajuda a providência, vamos ter milho à grané
Vou coiê pelos meus caico 20 espiga em cada pé
Pelos caico eu vou coiê 20 espiga em cada pé

Ai, São João, São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José
Fale lá com São José
Peça pra ele me ajudar
Peça pro meu milho dá
20 espiga em cada pé."

segunda-feira, 19 de março de 2018

DIA DE SÃO JOSÉ

Imagem: George de La Tour (1640)


Hoje é 19 de março, uma data muito importante para o sertanejo - o dia de São José. Segundo a cultura dos agricultores ao longo dos anos, a adoração ao pai terreno de Jesus Cristo se dá pelo fato da crença que em caso de chuva no sertão nesta data é porque haverá bom inverno e, consequentemente, boa safra. 

José era carpinteiro e hoje é considerado o "padroeiro dos trabalhadores". E por ter se dedicado como o verdadeiro pai de Cristo e fiel à sua esposa Maria também é venerado como "padroeiro das famílias.

De acordo com a Bíblia, o santo da Igreja Católica inicialmente não recebeu de bom grado a notícia da gravidez de Maria de um filho que não era seu, já que ela lhe estava prometida em casamento e ainda não haviam tido qualquer relação conjugal até então. A partir deste fato José passou a ignorá-la. Eis que um anjo apareceu-lhe em sonho e o convenceu a aceitar a graça recebida pelo Espírito Santo e recebeu de volta sua companheira.


Imagem: Opusdei.org


Luiz Gonzaga, sempre atento e fiel aos costumes nordestinos, citou São José em diversas músicas de seu repertório. Dentre elas as mais conhecidas são "São João do Carneirinho", em parceria com Guio de Morais (1952); "Triste partida", de Patativa do Assaré (1964); e "Procissão", de Gilberto Gil (1971).

Confira abaixo essas três canções do Rei do Baião em que ele evoca a tradição nordestina de esperar uma boa colheita pela intervenção divina de São José.




Procissão - Gilberto Gil (1971)


"Meu divino São José
Aqui estou em vossos pés
Dai-nos chuva com abundância
Meu Jesus de Nazaré

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando 
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram chapéu
Eles vivem penando aqui na Terra
Esperando o que Jesus prometeu

E Jesus prometeu coisa melhor
Prá quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na Terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver

Muita gente se arvora a ser Deus 
E promete tanta coisa pro sertão 
Que vai dar um vestido prá Maria 
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano e nada vem 
Meu sertão continua ao Deus dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na Terra isso tem que se acabar."






São João do Carneirinho - Luiz Gonzaga/Guio de Morais (1952)


"Eu prantei meu mio todo
No dia de São José.
Se me ajuda a providência
Vamos ter mio à grané.

Vou coiê pelos meu cárculo
Vinte espiga em cada pé.
Pelos cárculo vou colher
Vinte espiga em cada pé.

Ai, São João!
São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho.
Fale com São José.
Fale lá com São José.
Peça pr’ele me ajudar.
Peça pro meu mio dá.
Vinte espiga em cada pé."






Triste partida - Patativa do Assaré (1964)


"Setembro passou 
Outubro e Novembro 
Já estamos em Dezembro 
Meu Deus, que é de nós?

Meu Deus, meu Deus

Assim fala o pobre 
Do seco Nordeste 
Com medo da peste 
E da fome feroz.

Ai, ai, ai, ai 

A treze do mês 
Ele fez experiência 
Perdeu sua crença 
Nas pedras de sal.

Meu Deus, meu Deus 

Mas noutra esperança 
Com gosto se agarra 
Pensando na barra 
Do alegre Natal.

Ai, ai, ai, ai 

Rompeu-se o Natal 
Porém, barra não veio 
O sol bem vermelho 
Nasceu muito além.

Meu Deus, meu Deus 

Na copa da mata 
Buzina a cigarra 
Ninguém vê a barra 
Pois barra não tem.

Ai, ai, ai, ai 

Sem chuva na terra 
Descamba Janeiro
Depois fevereiro 
E o mesmo verão.

Meu Deus, meu Deus 

Então o nortista 
Pensando consigo 
Diz isso é castigo 
não chove mais não.

Ai, ai, ai, ai 

Apela pra Março 
Que é o mês preferido 
Do santo querido 
Senhor São José.

Meu Deus, meu Deus 

Mas nada de chuva 
Tá tudo sem jeito 
Lhe foge do peito 
O resto da fé.

Ai, ai, ai, ai 

Agora pensando 
Ele segue outra trilha 
Chamando a família 
Começa a dizer.

Meu Deus, meu Deus 

Eu vendo meu burro 
Meu jegue e o cavalo 
Nós vamos a São Paulo 
Viver ou morrer.

Ai, ai, ai, ai 

Nós vamos a São Paulo 
Que a coisa está feia 
Por terras alheias 
Nós vamos vagar.

Meu Deus, meu Deus 

Se o nosso destino 
Não for tão mesquinho 
Pro mesmo cantinho 
Nós torna a voltar.

Ai, ai, ai, ai 

E vende seu burro 
Jumento e o cavalo 
Até mesmo o galo 
Venderam também.

Meu Deus, meu Deus 

Pois logo aparece 
Feliz fazendeiro 
Por pouco dinheiro 
Lhe compra o que tem.

Ai, ai, ai, ai 

Em um caminhão 
Ele joga a família 
Chegou o triste dia 
Já vai viajar.

Meu Deus, meu Deus 

A seca terrível 
Que tudo devora 
Ai,lhe bota pra fora 
Da terra natá.

Ai, ai, ai, ai 

O carro já corre 
No topo da serra 
Olhando pra terra 
Seu berço, seu lar.

Meu Deus, meu Deus 

Aquele nortista 
Partido de pena 
De longe acena 
Adeus, meu lugar.

Ai, ai, ai, ai 

No dia seguinte 
Já tudo enfadado 
E o carro embalado 
Veloz a correr.

Meu Deus, meu Deus 

Tão triste, coitado 
Falando saudoso 
Com seu filho choroso 
Exclama a dizer.

Ai, ai, ai, ai 

De pena e saudade 
Papai sei que morro 
Meu pobre cachorro 
Quem dá de comer?

Meu Deus, meu Deus 

Já outro pergunta 
Mãezinha, e meu gato? 
Com fome, sem trato 
Mimi vai morrer.

Ai, ai, ai, ai 

E a linda pequena 
Tremendo de medo 
Mamãe, meus brinquedo 
Meu pé de fulô? 

Meu Deus, meu Deus 

Meu pé de roseira 
Coitado, ele seca 
E minha boneca 
Também lá ficou.

Ai, ai, ai, ai 

E assim vão deixando 
Com choro e gemido 
Do berço querido 
Céu lindo e azul.

Meu Deus, meu Deus 

O pai, pesaroso 
Nos filhos pensando 
E o carro rodando 
Na estrada do Sul.

Ai, ai, ai, ai 

Chegaram em São Paulo 
Sem cobre quebrado 
E o pobre acanhado 
Procura um patrão 

Meu Deus, meu Deus 

Só vê cara estranha 
De estranha gente 
Tudo é diferente 
Do caro torrão.

Ai, ai, ai, ai 

Trabalha dois ano 
Três ano e mais ano 
E sempre nos planos 
De um dia voltar.

Meu Deus, meu Deus 

Mas nunca ele pode 
Só vive devendo 
E assim vai sofrendo 
É sofrer sem parar.

Ai, ai, ai, ai 

Se alguma notícia 
Das banda do norte 
Tem ele por sorte 
O gosto de ouvir.

Meu Deus, meu Deus 

Lhe bate no peito 
Saudade de mói 
E as água nos olhos 
Começam a cair.

Ai, ai, ai, ai 

Do mundo afastado 
Ali vive preso 
Sofrendo desprezo 
Devendo ao patrão.

Meu Deus, meu Deus 

O tempo rolando 
Vai dia e vem dia 
E aquela família 
Não volta mais não.

Ai, ai, ai, ai 

Distante da terra 
Tão seca, mas boa 
Exposto à garoa 
A lama e o baú.

Meu Deus, meu Deus 

Faz pena o nortista 
Tão forte, tão bravo 
Viver como escravo 
No Norte e no Sul.

Ai, ai, ai, ai"




sexta-feira, 9 de março de 2018

ELES CANTAM GONZAGÃO

Foto: Reprodução/Paraíba Criativa


Luiz Gonzaga, como já citado diversas vezes neste blog, foi cantado em verso e prosa por vários artistas do mais distintos estilos no Brasil e fora dele. Ainda mais quando algum(a) cantor(a) é consagrado no mesmo ritmo do Rei do Baião é que não poderia deixar passar a chance de ter o sanfoneiro de Exu fazendo parte de sua carreira.

Nesta postagem falamos de Genival Lacerda, paraibano de Campina Grande nascido em 05 de abril de 1931. Irreverente forrozeiro, começou sua carreira ainda nos anos 50 em Pernambuco e, depois, rumou ao Rio de Janeiro tendo como orientador e inspiração o mestre Jackson do Pandeiro. Forró, xote, baião, xaxado, coco e rojão com bastante duplo sentido (não confundir com a vulgaridade dos dias de hoje nas músicas) fazem parte de seu repertório nos shows e gravações até os dias atuais.

Seu maior sucesso é a clássica "Severina Xique-Xique", de 1975, em parceria com João Gonçalves, quando alcançou muito sucesso com vendagem de discos à época. Também conhecido como "Senador do Rojão", Genival Lacerda é um dos ícones da cultura popular musical brasileira por seu estilo e por sua performance nos palcos, inclusive com seu vestuário colorido, seu chapéu e quando balança a folclórica "pança" durante suas apresentações. Seu filho João Lacerda também segue os passos do pai pelos palcos do país.


Foto: Andrea Gisele/Secom-JP


Lacerda gravou várias músicas de Luiz Gonzaga ao longo de seus mais de 60 anos de carreira e lançou um CD exclusivamente com a obra de Gonzagão em 2012 com a participação de vários artistas convidados e contendo 16 faixas.

Abaixo, trecho de um show de Genival Lacerda em que ele canta diversos sucessos do Rei do Baião.





Riacho do Navio - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1955) 


"Riacho do Navio corre pro Pajeú 
O rio Pajeú vai despejar no São Francisco 
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar 
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar. 

Se eu fosse um peixe, ao contrário do rio 
Nadava contra as águas e nesse desafio 
Saía lá do mar pro Riacho do Navio 
Eu ia diretinho pro Riacho do Navio 

Pra ver o meu brejinho 
Fazer umas caçadas
Ver as pegas de boi 
Andar nas vaquejadas 
Dormir ao som do chocalho 
E acordar com a passarada 

Sem rádio e sem notícia
Das terras civilizadas
Sem rádio e sem notícia 
Das terras civilizadas"



Forró no escuro - Luiz Gonzaga/Miguel Lima (1958) 


"O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
A sanfona não parou
E o forró continuou. 

Meu amor não vá simbora
Não vá simbora
Fique mais um bocadinho
Um bocadinho
Se você for seu nego chora
Seu nego chora 
Vamos dançar mais um tiquinho
Mais um tiquinho. 

Pois quando eu entro numa farra
Num quero sair mais não
Eu vou até quebrar a barra
E pegar o sol com a mão."



São João do Carneirinho - Luiz Gonzaga/Guio de Moraes (1962)


"Eu plantei meu milho todo 
No dia de São José 
Se me ajuda a providência 
Vamos ter milho a grané 
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé.

Ai, São João!
São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José
Fale lá com São José
Peça pr'ele me ajudar
Peça pro meu milho dar
Vinte espigas em cada pé."