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sexta-feira, 9 de março de 2018

ELES CANTAM GONZAGÃO

Foto: Reprodução/Paraíba Criativa


Luiz Gonzaga, como já citado diversas vezes neste blog, foi cantado em verso e prosa por vários artistas do mais distintos estilos no Brasil e fora dele. Ainda mais quando algum(a) cantor(a) é consagrado no mesmo ritmo do Rei do Baião é que não poderia deixar passar a chance de ter o sanfoneiro de Exu fazendo parte de sua carreira.

Nesta postagem falamos de Genival Lacerda, paraibano de Campina Grande nascido em 05 de abril de 1931. Irreverente forrozeiro, começou sua carreira ainda nos anos 50 em Pernambuco e, depois, rumou ao Rio de Janeiro tendo como orientador e inspiração o mestre Jackson do Pandeiro. Forró, xote, baião, xaxado, coco e rojão com bastante duplo sentido (não confundir com a vulgaridade dos dias de hoje nas músicas) fazem parte de seu repertório nos shows e gravações até os dias atuais.

Seu maior sucesso é a clássica "Severina Xique-Xique", de 1975, em parceria com João Gonçalves, quando alcançou muito sucesso com vendagem de discos à época. Também conhecido como "Senador do Rojão", Genival Lacerda é um dos ícones da cultura popular musical brasileira por seu estilo e por sua performance nos palcos, inclusive com seu vestuário colorido, seu chapéu e quando balança a folclórica "pança" durante suas apresentações. Seu filho João Lacerda também segue os passos do pai pelos palcos do país.


Foto: Andrea Gisele/Secom-JP


Lacerda gravou várias músicas de Luiz Gonzaga ao longo de seus mais de 60 anos de carreira e lançou um CD exclusivamente com a obra de Gonzagão em 2012 com a participação de vários artistas convidados e contendo 16 faixas.

Abaixo, trecho de um show de Genival Lacerda em que ele canta diversos sucessos do Rei do Baião.





Riacho do Navio - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1955) 


"Riacho do Navio corre pro Pajeú 
O rio Pajeú vai despejar no São Francisco 
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar 
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar. 

Se eu fosse um peixe, ao contrário do rio 
Nadava contra as águas e nesse desafio 
Saía lá do mar pro Riacho do Navio 
Eu ia diretinho pro Riacho do Navio 

Pra ver o meu brejinho 
Fazer umas caçadas
Ver as pegas de boi 
Andar nas vaquejadas 
Dormir ao som do chocalho 
E acordar com a passarada 

Sem rádio e sem notícia
Das terras civilizadas
Sem rádio e sem notícia 
Das terras civilizadas"



Forró no escuro - Luiz Gonzaga/Miguel Lima (1958) 


"O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
A sanfona não parou
E o forró continuou. 

Meu amor não vá simbora
Não vá simbora
Fique mais um bocadinho
Um bocadinho
Se você for seu nego chora
Seu nego chora 
Vamos dançar mais um tiquinho
Mais um tiquinho. 

Pois quando eu entro numa farra
Num quero sair mais não
Eu vou até quebrar a barra
E pegar o sol com a mão."



São João do Carneirinho - Luiz Gonzaga/Guio de Moraes (1962)


"Eu plantei meu milho todo 
No dia de São José 
Se me ajuda a providência 
Vamos ter milho a grané 
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé.

Ai, São João!
São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José
Fale lá com São José
Peça pr'ele me ajudar
Peça pro meu milho dar
Vinte espigas em cada pé."



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

ELES CANTAM GONZAGÃO



Luiz Gonzaga, como já foi dito tantas vezes neste blog, foi cantado em verso e prosa por diversos artistas do mais variados estilos no Brasil e no exterior. E outro nome consagrado da nossa música não poderia deixar passar a chance de ter o Rei do Baião fazendo parte de sua carreira.

Acredito que poucas pessoas lembram ou até saibam que Alcione, reconhecida cantora de MPB, samba e pagode, já deu seus passos no forró - com direito a clipe e tudo mais. E como não poderia ser diferente, influenciada pelo nosso mestre musical maior.

Em 1984, João Silva e Gonzagão compuseram "Forrofiar" em homenagem à Marrom, apelido desta maranhense de São Luís dona de um repertório da mais alta qualidade. O sanfoneiro participou do final da música deixando um recado para a artista.


Forrofiar - Luiz Gonzaga/João Silva (1984)

Esse forró tá muito bom, tá muito bom 
Deixa um pouquinho pra Marrom 
Mas aqui pra Marrom! 
Esse forró tá muito bom, tá muito bom
Deixa um pouquinho pra Marrom 
Mas aqui pra Marrom! 

Esse forró tá muito bom, tá muito bom 
Deixa um pouquinho pra Marrom 
Mas aqui pra Marrom! 
Esse forró tá muito bom, pra lá de bom 
Deixa um pouquinho pra Marrom!

Há muito veio paquerando, me chegando, me ajeitando 
E não cansei de esperar
Quem espera sempre alcança 
E agora que estou na dança, vamos lá forrofiar 
E vamos lá forrofiar
Vamos forró forrofiar!

Se o sanfoneiro se escapole 
E vou atrás e tomo o fole 
Pro forró não se acabar!

Esse forró tá muito bom, tá muito bom 
Deixa um pouquinho pra Marrom 
Mas aqui pra Marrom! 
Esse forró tá muito bom, tá muito bom
Deixa um pouquinho pra Marrom 
Mas aqui pra Marrom!

Eu sou da terra da cultura, da fartura, agricultura 
São José do Ribamar 
Do feitiço, do chouriço 
Se meu pai já foi bom nisso porque não forrofiar? 
E porque não forrofiar? 
Vamos forró forrofiar! 

Se o sanfoneiro se escapole 
E vou atrás e tomo o fole 
Pro forró não se acabar!"


Link do vídeo: https://youtu.be/Fk8YrOO9ySg


sábado, 4 de julho de 2015

ELES CANTAM GONZAGÃO

Foto: Luna Markman/G1



Vários artistas enriqueciam suas carreiras quando dividiam uma gravação ou um palco com Luiz Gonzaga - seja no rádio, na TV ou nos shows Brasil a fora. E o Quinteto Violado foi um grupo que teve o privilégio de estar ao lado do Rei do Baião em várias ocasiões como na do vídeo abaixo.

O grupo foi formado em 1970 pelos músicos Antônio Alves (Toinho), Marcelo Melo, Fernando Filizola, Luciano Pimentel e Johnson dos Anjos (Sando); porém, sofreu algumas modificações ao longo dos anos em sua composição. Mas nada que tirasse o brilho de um dos conjuntos de maior sucesso de nossa história.

Nesses 45 anos de estrada o Quinteto Violado sempre bebeu da fonte de Gonzaga, fazendo um releitura dos grandes sucessos do Rei do Baião. E um dos grandes encontros do grupo com o sanfoneiro de Exu foi no programa "Som Brasil" da TV Globo no começo dos anos 80, cujo vídeo compõe esta postagem. A música é a célebre "A morte do vaqueiro", de Gonzagão e Nélson Barbalho.





A morte do vaqueiro - Luiz Gonzaga/Nélson Barbalho (1963)


"Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar.

Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ê, gado, Ô... Ê, ê...

Bom vaqueiro nordestino
Morre sem deixar tostão
O seu nome é esquecido
Nas quebradas do sertão
Nunca mais ouvirão
Seu cantar, meu irmão.

Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ê, gado, Ô... Ê, ê...

Sacudido numa cova
Desprezado do Senhor
Só lembrado do cachorro
Que ainda chora a sua dor
É demais tanta dor
A chorar com amor.

Tengo, lengo, tengo, lengo,
tengo, lengo, tengo
Ê, gado, Ô... Ê, ê..."



terça-feira, 5 de maio de 2015

ELES CANTAM GONZAGÃO




Luiz Gonzaga é um dos artistas brasileiros mais gravados e interpretados da história musical brasileira. Várias gerações de cantores e músicos com o passar do tempo introduziram em seus acervos a obra do Rei do Baião e seus parceiros.

Sejam os mais antigos, como o grupo "Quatro Ases e um Coringa", Carmélia Alves, Emilinha Borba, Marlene, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Caetano Veloso; ou a mais recente geração, como Flávio José, Targino Gondim, Alcymar Monteiro, Chambinho do Acordeon, entre outros, enriqueceram/enriquecem suas obras com as canções de Gonzaga.

Chambinho, inclusive, foi além: representou o próprio sanfoneiro de Exu no filme "Gonzaga - de pai pra filho" em 2012. No vídeo acima o jovem e talentoso artista canta e toca, com direito à indumentária de Gonzagão, dois grandes sucessos do Rei e de Humberto Teixeira: "Mangaratiba" e "Qui nem jiló".


Mangaratiba - Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1949)


"Ôi, lá vem o trem rodanda estrada arriba
Pronde é que ele vai?
Mangaratiba! Mangaratiba! Mangaratiba!

Adeus Pati, Araruama e Guaratiba
Vou pra Ibacanhema, vou até Mangaratiba!
Adeus Alegre, Paquetá, adeus Guaíba
Meu fim de semana vai ser em Mangaratiba!
Oh! Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
Mangaratiba!

Lá tem banana, tem palmito e tem caqui
E quando faz liar, tem violão e parati
O mar é belo, lembra o seio de Ceci
Arfando com ternura, junto à praia de Anguiti
Oh! Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
Mangaratiba!

Lá tem garotas tão bonitas como aqui:
Zazá, Carime, Ivete, Ana Maria e Leni
Amada vila junto ao mar de Sepetiba
Recebe o meu abraço, sou teu fã
Mangaratiba!"




Qui nem Jiló - Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (1950)


"Se a gente lembra só por lembrar
Do amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Por cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu!

Porém, se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim,
Que vivo doido a sofrer!

Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga qui nem jiló!
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar!"



terça-feira, 10 de março de 2015

ELAS CANTAM GONZAGÃO

Foto: UOL



A última semana foi de perdas lamentáveis para a música brasileira, notadamente a sertaneja. Primeiro foi a partida de João Alves dos Santos, o José Rico, no dia 3. Depois, o falecimento de Inezita Barroso no domingo. Assim como Gonzagão, ambos marcaram significativamente a cultural musical de nosso país. 

O pernambucano José Rico ficou eternizado ao lado de seu grande parceiro Milionário, formando uma das duplas mais consagradas da música sertaneja e influenciando positivamente grandes nomes do estilo. Já a paulistana Inezita fez história quando se tornou a primeira mulher a cantar uma moda de viola no país. Apresentava com maestria um programa muito conceituado e de ótima qualidade na TV Cultura, o "Viola, minha viola" há muitos anos.

Estamos ficando cada vez mais pobres musicalmente falando. Perdas irreparáveis pra nossa cultura hoje tão maltratada pelos atuais "dublês" de cantores e bandas.

Em homenagem à dama da moda de viola, segue um vídeo em que Inezita faz dupla com a igualmente saudosa Carmélia Alves, a Rainha do Baião, interpretando a clássica "Baião" de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.




Baião - Luiz Gonzaga/Humberto (1949)


"Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção.

Morena chega pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião.

Eu já dancei balancê,
Xamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras dancas não têm.

E quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião.

Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém.

Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião."


Link do vídeo: http://youtu.be/SGkOo_yqUAg

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ELES CANTAM GONZAGÃO

Imagem: reprodução



Na década de 60 Luiz Gonzaga começava a voltar aos holofotes da grande mídia da época, já que com o advento dos novos ritmos da Bossa Nova e Jovem Guarda o baião perdera um pouco do seu espaço no início desse período nos grandes centros urbanos - mas não no interior do Brasil.

Entretanto, essa mesma turma jovem que contemplava os novos sons, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, entre outros, bebia da fonte do sanfoneiro de Exu. Em diversas entrevistas os próprios Caetano e Gil fizeram questão de citar Luiz Gonzaga como um dos grandes precursores da cultura musical brasileira e um de seus grandes inspiradores.

Para Gilberto Gil o baião é um dos grandes representantes da musicalidade deste período como fonte de inspiração, à frente de toda uma família de derivados, não só do Nordeste como de outras regiões do país, passa a se constituir no principal gênero da nossa música popular, depois do samba.

Uma grande prova da reverência desses então jovens artistas foi um disco de Caetano Veloso, que estava vivendo em Londres, na Inglaterra, como exilado pela ditadura militar no Brasil. Caetano gravou o álbum todo em inglês com composições de sua autoria – exceto uma: Asa Branca, cantada em português. Confira no vídeo abaixo.





Asa Branca - Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga (1947)


"Quando oiei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espaiar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu?
Que eu voltarei, viu, meu coração?
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, vium meu coração?"


Link do vídeo: http://youtu.be/Oh-i7oir72w

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ELES CANTAM GONZAGÃO

Foto: DPA



A música mundial ficou órfã neste dia 25 de janeiro. Faleceu em Atenas, capital da Grécia, o cantor Demis Roussos. Egípcio de Alexandria, Roussos era naturalizado grego, tinha 68 anos de idade e morreu num hospital ateniense de causa ainda não revelada. O célebre artista foi autor de canções memoráveis como "Forever and ever", "Goodbye, my love, goodbye" e "We shall dance" e esteve no Brasil em três ocasiões, sempre lotando os estádios e casas de espetáculo com sua voz marcante.

Mas num blog de Luiz Gonzaga o que o egípcio naturalizado grego Demis Roussos tem a ver com o sanfoneiro nordestino? Resposta: muita coisa! Na primeira vez em que pisou em nosso país, no início dos anos 70, Roussos esteve na Bahia para uma apresentação. Na terra de Dorival Caymmi ouviu uma música que lhe encantou profundamente e que ficou ecoando em seu mente até sua volta à Grécia.

A melodia que tinha escutado era nada mais, nada menos, que a clássica toada de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira "Asa Branca", de 1947. O som do Rei do Baião, já internacionalizado desde 1951 quando a portuguesa Ester de Abreu gravou "Ai, ai, Portugal" da dupla Gonzaga-Teixeira, atraía mais outro artista além do oceano Atlântico. Sendo assim, em 1973 Demis Roussos gravou "White wings", que quer dizer "asas brancas" em inglês. A letra não é uma tradução literal da original brasileira, porém a musicalidade é facilmente reconhecida e a composição também fala saudosamente de uma determinada terra.

No vídeo abaixo, gravado na última vinda do cantor ao Brasil em Curitiba no ano de 2005, Roussos conta como se apaixonou pela música de Gonzagão e canta "White wings" com uma pitada bem nordestina, com direito a coral de jovens e tudo.





White wings - Demis Roussos (1973)

"There is a land I can show you 
Far beyond the rainbows end 

Close your eyes and 
I will surely guide you 
Stay close beside me 
Let me hold your hand 

There is a land I can show you 
Far beyond the hills you'll see 

Close your eyes and 
I will surely guide you 
Stay close beside me 
And the deep blue sea 

There is a land I can show you 
Where the peaceful waters flow 

Close your eyes and 
I will surely guide you 
Across the cold winds 
To a love that grows ."


Link do vídeo: http://youtu.be/elF-G285D6A


domingo, 4 de janeiro de 2015

ELES(AS) CANTAM GONZAGÃO




Mais uma prova de como vários estilos musicais bebem da fonte do Rei do Baião. Aqui um encontro histórico entre Zé Ramalho e Luiz Gonzaga. Dois artistas genuinamente nordestinos tocando e cantando Juazeiro, composição do próprio Gonzagão e Humberto Teixeira de 1949.


Link do vídeo: http://youtu.be/9m5Q4izgNAA