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terça-feira, 23 de junho de 2020

A LENDA DE SÃO JOÃO

Imagem: Fatima.org.br


Hoje é 23 de junho, véspera do dia de São João, o santo mais conhecido dos festejos juninos. As tradicionais festas acontecem justamente no dia anterior, mas se estendem pelo outro dia de norte a sul do país.

João Baptista é muito louvado e reverenciado por várias religiões principalmente por ser considerado o precursor do anúncio da vinda de Jesus Cristo - que era seu primo - e pelo seu batismo às margens do Rio Jordão. Seu nascimento se deu justamente em 24 de junho no vilarejo de Ein Kerem, na Judéia, no ano 2 a.C. 

Durante sua infância, sua educação foi bastante influenciada pelo rigor religioso, já que seu pai era um sacerdote e a sua mãe, Isabel, pertencia a um grupo denominado "Filhas de Araão", cujas participantes cumpriam papéis importantes na sociedade religiosa da época. João Baptista era primo de Jesus Cristo, já que sua mãe era prima de Maria, a mãe do Messias - conforme citado na postagem anterior sobre a origem da tradição das fogueiras juninas.

Seu pai faleceu quando João tinha 17 anos. A partir de então teve que prover o sustento de sua casa trabalhando como pastor. Por volta de cinco anos mais tarde foi a vez de perder sua mãe Isabel. Após este fato, o futuro santo doou todos os seus bens a uma irmandade local e passou a pregar a vinda do Salvador que estabeleceria o Reino do Céu na Terra e promover o batismo das pessoas às margens do Rio Jordão.


Imagem: Nossa Sagrada Família


Entre os batizados estava Jesus, aquele que o próprio João anunciou sua vinda. Cristo já sabia da fama do pregador e foi até seu encontro para ser batizado. Quando João Baptista derramou-lhe a água por seu corpo uma pomba teria aparecido ao lado de Jesus, conforme relata a Bíblia.

Sua morte aconteceu no ano 26 d.C. a mando de Herodias, esposa de Herodes Antipas I. João havia sido preso por supostas acusações de adultério contra o avô de Antipas - o rei Herodes, O Grande - enquanto pregava numa aldeia. Foi preso e levado à fortaleza de Maqueronte e executado por decapitação alguns meses depois. Sua cabeça foi entregue em uma bandeja por Salomé, filha de Herodias. 

A celebração pelo seu dia é uma tradição bem antiga, que vem desde a Idade Média, e que acontece na celebração dos chamados "santos populares" - além de São João, constam ainda Santo Antônio e São PedroÉ o único santo cujos nascimento e falecimento, este último em 29 de agosto, são celebrados em dois eventos pelos cristãos.

Luiz Gonzaga dedicou parte de sua riquíssima obra para a exaltação aos festejos juninos - e a São João especificamente. No vídeo abaixo o Rei do Baião canta e conta a história da lenda do santo, na música "Lenda de São João" de sua autoria com Zé Dantas de 1956. Inclusive nesta composição os autores falam também da origem da tradição da fogueira junina.

E nunca é demais lembrar: #FiqueEmCasa.





Lenda de São João - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1956)


"Eu vou, vou soltar foguete
Eu vou, vou soltar balão
Eu vou festejar São Pedro
Eu vou festejar São João.

Diz que Santa Isabel
Disse a prima Maria
João vindo ao mundo
Lhe aviso no dia

Ao ver no meu rancho
Lenda de São João - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1956)

"Eu vou, vou soltar foguete
Eu vou, vou soltar balão
Eu vou festejar São Pedro
Eu vou festejar São João.

Diz que Santa Isabel
Disse a prima Maria
João vindo ao mundo
Lhe aviso no dia

Ao ver no meu rancho
Um grande clarão
E uma fogueira
Nasceu São João.

Por isso que o mundo
Com muita razão
Assim festeja
O Senhor São João.

Disse que São João foi dormir
E que só se acordou
No dia de Pedro
E São João se zangou.

Pois tinha pedido
À santa família
Que lhe acordasse
Chegando o seu dia.

Mas se ele saísse
Do sono profundo
Um grande incêndio

Acabava o mundo."

terça-feira, 26 de junho de 2018

É SANTO ANTÔNIO E SÃO JOÃO!

Imagem: Jornal GGN


Estamos nos mês mais nordestino do país. Os festejos juninos são uma marca registrada da cultura nordestina cantada aos quatro cantos pelo seu maior representante cultural: Luiz Gonzaga.

Em 13 de junho comemorou-se o dia de Santo Antônio, tradicional santo casamenteiro e primeiro santo da Igreja Católica reverenciado no mês. Gonzagão o homenageou na composição de Alcymar Monteiro e João Paulo de 1987, intitulada "Festa de Santo Antônio" e que você pode acompanhar no final da postagem. Um pouco de sua história você pode conferir neste blog clicando aqui.

Já São João é comemorado no dia 23 de junho e é o santo mais lembrado nesse período. Foi quem batizou Jesus já adulto nas águas do Rio Jordão, segundo a Bíblia. Inclusive a tradição de acender fogueira vem da época do seu nascimento e que a música "Lenda de São João" composta pelo Rei do Baião juntamente com Zé Dantas conta. Você poderá conferi-la em um dos vídeos abaixo. Também já contamos uma parte da história de João Baptista aqui no blog e você pode conferir neste link

Veja e ouça a seguir músicas de Luiz Gonzaga dedicadas a Santo Antônio e São João, além da tradicional "Olha pro céu" que é uma espécie de hino dos festejos juninos.




Festa de Santo Antônio - Alcymar Monteiro/João Paulo (1987)


"A festa de Santo Antônio
Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre
Pra ver o pau da bandeira.

Olha quanta alegria, que beleza
A multidão faz fileira, hoje é dia
Vamos buscar o pau da bandeira
Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça
Só num bebe quem num quer.

Só se houve o comentário
Lá na igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz
Reza-se lá na matriz.

Meu Santo Antonio casamenteiro
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro."







Lenda de São João - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1956)


"Eu vou, vou soltar foguete
Eu vou, vou soltar balão
Eu vou festejar São Pedro
Eu vou festejar São João.

Diz que Santa Isabel
Disse a prima Maria
João vindo ao mundo
Lhe aviso no dia

Ao ver no meu rancho
Lenda de São João - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1956)

"Eu vou, vou soltar foguete
Eu vou, vou soltar balão
Eu vou festejar São Pedro
Eu vou festejar São João.

Diz que Santa Isabel
Disse a prima Maria
João vindo ao mundo
Lhe aviso no dia

Ao ver no meu rancho
Um grande clarão
E uma fogueira
Nasceu São João.

Por isso que o mundo
Com muita razão
Assim festeja
O Senhor São João.

Disse que São João foi dormir
E que só se acordou
No dia de Pedro
E São João se zangou.

Pois tinha pedido
À santa família
Que lhe acordasse
Chegando o seu dia.

Mas se ele saísse
Do sono profundo
Um grande incêndio

Acabava o mundo."






Olha pro céu - Luiz Gonzaga/José Fernandes (1951)


"Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Pois era noite de São João

Havia balões no ar
Xóte, baião no salão
E no terreiro o teu olhar
Que incendiou meu coração!"



terça-feira, 12 de junho de 2018

CHEGOU O MÊS MAIS NORDESTINO

Imagem: Divulgação


Chegou a época mais nordestina do ano, a das festas juninas. Período tradicional de muita música, brincadeiras e comidas típicas tão presentes na obra de Luiz Gonzaga. Não à toa era filho de um puxador de fole que fazia muito sucesso no pé da serra do Araripe, principalmente nesse mês.

Em junho, tradicionalmente, as festas se dão nas vésperas dos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro - 12, 23 e 28 respectivamente -, santos da Igreja Católica. É tempo de milho, canjica, pamonha, munguzá, pé-de-moleque, arroz doce, bolos diversos, quentão, entre outras iguarias da culinária do Nordeste. Sem esquecer das fogueiras, bandeirolas, brincadeiras, quadrilhas e fogos de artifícios. Pena tais tradições estarem sendo esquecidas nos últimos tempos devido a uma completa deturpação do espírito junino conforme podemos presenciar em várias festas promovidas Brasil a fora.

A história dos festejos remontam ao período Pré-Gregoriano como uma comemoração pagã em reverência à fertilidade e à boa colheita nas lavouras nos solstícios de verão. Por ser um período com temperaturas mais baixas a fogueira acabou sendo introduzida para aquecer o povo do frio. Sempre acontecendo em meados do dia 24 de junho, o dia de São João para nós brasileiros.

Mas antes de reverenciarem os santos do mês as festas eram chamadas de Joaninas em homenagem à João Baptista, o homem que batizou Jesus Cristo segundo a Bíblia. Porém, com o tempo transformou-se numa comemoração do catolicismo para os padroeiros já Santo Antônio, São João e São Pedro. Aqui para o Brasil foram trazidas pelos colonizadores portugueses e rapidamente se tornaram populares de norte a sul do país. Contudo, foi no Nordeste que o mês junino enraizou-se na cultura local. 


Foto: André Hilton/TV Asa Branca


Luiz Gonzaga nasceu e cresceu num berço que contemplava ativamente os dias de junho, pois Januário, seu pai, como bom tocador de fole da região de Exu/PE animava os terreiros do sertão durante todo o mês com seu pé de bode de 8 baixos. Na sua obra está bastante presente a reverência ao período mais nordestino do país, com clássicos como "São João na roça", "Olha pro céu", "Na fogueira de São João", "Fogo sem fuzil", "São João sem futrica", "Tei-tei no arraiá", entre outros.

Podemos facilmente afirmar que as festas juninas hoje têm como padrinho Luiz Gonzaga, o maior responsável pela sua popularização e por sempre levar o nome do seu Nordeste a todos os lugares do Brasil.

Infelizmente com o passar dos anos a tradição dos festejos de junho vem sendo deixada de lado. Os forrós de verdade vêm perdendo espaço para ritmos musicais que nada têm a ver com obra do Rei do Baião, fora os artistas que se apresentam no período nas cidades que também não têm nada a ver com a legítima cultura junina.

De um lado ainda persistem os seguidores fiéis da obra do Rei que militam na sua música eternizada. Essa sim a verdadeira tradição musical das festas juninas. Do outro, os que insistem em deturpar a musicalidade do Velho Lua, empregando à sonoridade tão característica do baião e do forró instrumentos que em pouco ou nada se relacionam com o estilo empregado pelo sanfoneiro. Além disso, as letras estão ficando cada vez mais obscenas em cada estrofe. O duplo sentido sempre fez parte da cultura musical brasileira, mas a diferença está no grau de vulgaridade imposto nas gravações.

Em todo caso, respeitando-se os gostos, fica o legado imensurável deixado por Luiz Gonzaga não só para a música brasileira, mas para o folclore de nosso país! No vídeo abaixo vamos de "Tei-tei no arraiá", composta por Onildo Almeida em 1974, para entrarmos no verdadeiro ritmo junino. Viva Santo Antônio, São João e São Pedro! 




Tei-tei no arraiá - Onildo Almeida (1974)


"É hoje!
É hoje!
É hoje que a paia vai voar.

É hoje que vai ter forró de fole
Tem muié que não é mole
No tei-tei do arraiá.

A mulherada chega cedo e animada
Junto com a rapaziada
Pra festejar São João.

E desse jeito
Com tanta moça bonita
O tei-tei, como é que fica?
Ninguém quer parar mais não."




quinta-feira, 23 de junho de 2016

VIVA SÃO JOÃO!

Imagem: Blog Canção Nova


Hoje, 23 de junho, é véspera do dia de São João, o santo mais conhecido dos festejos juninos. As tradicionais festas acontecem justamente no dia anterior, mas se estendem pelo outro dia de norte a sul do país.

João Baptista é bastante venerado por várias religiões principalmente por ser considerado o precursor do anúncio da vinda de Jesus Cristo - que era seu primo - e pelo seu batismo às margens do Rio Jordão. Seu nascimento se deu justamente neste dia 24 de junho na Judéia no ano 2 a.C. 

Sua morte se deu no ano 26 d.C. a mando de Herodias, esposa de Herodes Antipas I. João havia sido preso por supostas acusações de adultério contra o avô de Antipas - o rei Herodes, O Grande - enquanto pregava na aldeia de Adão sobre respeito. Foi executado por decapitação alguns meses depois e sua cabeça entregue em uma bandeja por Salomé, filha de Herodias. 

É o único santo cujo nascimento e falecimento, este último em 29 de agosto, são celebrados em dois eventos pelos cristãos.

A celebração pelo seu dia é uma tradição bem antiga, que vem desde a Idade Média. E Luiz Gonzaga dedicou parte de sua riquíssima obra para a exaltação aos festejos juninos - e a São João especificamente. No vídeo abaixo Gonzagão conta a história da lenda de São João, conforme citado nessa postagem, na música homônima de suia autoria com Zé Dantas. Inclusive nessa composição os autores falam da origem da tradição da fogueira, já contada aqui no blog.

E viva São João!




Lenda de São João - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1956)

"Eu vou, vou soltar foguete
Eu vou, vou soltar balão
Eu vou festejar São Pedro
Eu vou festejar São João.

Diz que Santa Isabel
Disse a prima Maria
João vindo ao mundo
Lhe aviso no dia

Ao ver no meu rancho
Um grande clarão
E uma fogueira
Nasceu São João.

Por isso que o mundo
Com muita razão
Assim festeja
O Senhor São João.

Disse que São João foi dormir
E que só se acordou
No dia de Pedro
E São João se zangou.

Pois tinha pedido
À santa família
Que lhe acordasse
Chegando o seu dia.

Mas se ele saísse
Do sono profundo
Um grande incêndio

Acabava o mundo."




quarta-feira, 1 de junho de 2016

CHEGOU O MÊS MAIS NORDESTINO DO BRASIL

Foto: André Hilton/TV Asa Branca


Chegou junho! E com ele o período mais nordestino do ano, tempo de festas juninas. Tradicional época de muita música, brincadeiras tradicionais e comidas típicas tão relevadas na obra do Rei do Baião. Não à toa era filho de um puxador de fole que fazia muito sucesso no pé da serra do Araripe, principalmente nesse mês.

Nos festejos juninos comemoramos os dias de três santos da Igreja Católica: Santo Antônio (dia 13), São João (24) e São Pedro (29). Entretanto, tradicionalmente as festas se dão nas vésperas - 12, 23 e 28. É tempo de milho, canjica, pamonha, munguzá, pé-de-moleque, arroz doce, bolos diversos, quentão, entre outras iguarias da culinária do Nordeste. Sem esquecer das fogueiras, bandeirolas, brincadeiras, quadrilhas e fogos de artifícios.


Foto: Reprodução/Blog Hotel Hurbano


A história dos festejos juninos remontam ao período Pré-gregoriano como uma festa pagã em comemoração à fertilidade e à boa colheita nas lavouras nos solstícios de verão. Por ser um período mais frio a fogueira acabou sendo introduzida para aquecer o povo da temperatura baixa. Sempre acontecendo em meados do dia 24 de junho, o dia de São João para nós brasileiros.

Mas antes de reverenciarem Santo Antônio, São João e São Pedro as festas eram chamadas de Joaninas em homenagem à João Baptista, o homem que batizou Jesus Cristo nas águas do Rio Jordão segundo a Bíblia. Porém, como o tempo transformou-se numa comemoração do catolicismo para os três santos já citados.

No Brasil foram trazidas pelos nossos colonizadores portugueses e rapidamente se tornaram populares de norte a sul do país. Contudo, foi no Nordeste que o mês junino enraizou-se na cultura local. 


Foto: CODEC/PB


Luiz Gonzaga nasceu e cresceu num berço que contemplava ativamente os dias de junho, pois Januário, seu pai, como bom tocador de fole da região de Exu animava os terreiros do sertão durante todo o mês. 

Na sua obra está bastante presente a reverência ao mês mais nordestino do país, com clássicos como "São João na roça", "Olha pro céu", "Noites brasileiras", "Fogo sem fuzil", "São João sem futrica", entre outros. Podemos facilmente afirmar que as festas juninas hoje têm como padrinho Luiz Gonzaga, o maior responsável pela sua popularização e por sempre levar o nome do seu Nordeste a todos os lugares do Brasil.

Infelizmente com o passar dos anos a tradição dos festejos de junho vem sendo deixada de lado. Os forrós de verdade vêm perdendo espaço para um ritmo musical que nada tem a ver com obra do Rei do Baião, fora os artistas que se apresentam no período nas cidades que também não têm nada a ver com o legítimo forró. 

De um lado ainda persistem os seguidores fiéis da obra do Rei que militam na sua música eternizada, vestidos com as roupas típicas do Nordeste, seguindo o ritmo do conjunto triângulo, sanfona e zabumba que Gonzaga inovou. Essa sim a verdadeira tradição das festas juninas. Do outro, os que insistem em deturpar a musicalidade do Velho Lua, empregando à sonoridade tão característica do baião e do forró instrumentos que em pouco ou nada se relacionam com o estilo empregado pelo seu precursor, como trompetes, guitarras, baterias eletrônicas e sintetizadores. Além disso, as letras estão ficando cada vez mais obscenas em cada estrofe. O duplo sentido sempre fez parte da cultura musical brasileira, mas a diferença está no grau de vulgaridade imposto nas músicas.

Em todo caso, respeitando-se os gostos, fica o legado imensurável deixado por Luiz Gonzaga não só para a música brasileira, mas para o folclore de nosso país! No vídeo abaixo a clássica "Olha pro céu", composta por Gonzaga e José Fernandes, que é a cara das festas juninas. E viva Santo Antônio, São João e São Pedro!




Olha pro céu - Luiz Gonzaga/José Fernandes (1951)


"Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pr'aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo.

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João.

Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o teu olhar
Que incendiou meu coração."



quarta-feira, 24 de junho de 2015

É SÃO JOÃO!

Imagem: Blog Canção Nova


Hoje, 24 de junho, é dia de São João, o santo mais conhecido dos festejos juninos. As tradicionais festas acontecem na véspera, mas se estendem pelo outro dia de norte a sul do país.

João Baptista, o São João, é bastante venerado por várias religiões principalmente por ser considerado o precursor do anúncio da vinda de Jesus Cristo - que era seu primo - e pelo seu batismo às margens do Rio Jordão. Seu nascimento se deu justamente neste dia 24 de junho na Judéia no ano 2 a.C. 

Já sua morte aconteceu no ano 26 d.C. a mando de Herodias, esposa de Herodes Antipas I. Encontrava-se preso por supostas acusações de adultério contra seu avô - o rei Herodes, O Grande - enquanto pregava na aldeia de Adão sobre respeito, sendo decapitado alguns meses depois e sua cabeça entregue em uma bandeja por Salomé, filha de Herodias. 


Foto: Utilagradavel.com


A fogueira tão tradicional acesa durante o período de festas juninas tem origem numa lenda cristã que remonta ao nascimento de João Baptista. Diz que Isabel, mãe de João, acendeu uma grande fogueira no alto de um monte para que Maria, sua prima e mãe de Jesus, fosse avisada do parto. Tal atitude foi fruto de um acordo entra ambas durante a gravidez do então futuro santo.

A celebração e o culto ao seu dia são tradições bastante antigas que vêm desde a Idade Média. E Luiz Gonzaga dedicou parte de sua riquíssima obra para a exaltação aos festejos juninos - e a São João especificamente. No vídeo abaixo Gonzagão conta a história da lenda de São João, conforme citado nessa postagem, na música homônima de suia autoria com Zé Dantas. E no outro a clássica "Olha pro céu", composta por Gonzaga e José Fernandes e que é a cara das festas juninas. Não à toa é a música cantada mais executada nessa época há vários anos segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD (dados aqui). A primeira colocada geral é a instrumental "Festa na roça" do também genial sanfoneiro Mário Zan.





Lenda de São João - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1956)


"Eu vou, vou soltar foguete
Eu vou, vou soltar balão
Eu vou festejar São Pedro
Eu vou festejar São João.

Diz que Santa Isabel
Disse a prima Maria
João vindo ao mundo
Lhe aviso no dia

Ao ver no meu rancho
Um grande clarão
E uma fogueira
Nasceu São João.

Por isso que o mundo
Com muita razão
Assim festeja
O Senhor São João.

Disse que São João foi dormir
E que só se acordou
No dia de Pedro
E São João se zangou.

Pois tinha pedido
À santa família
Que lhe acordasse
Chegando o seu dia.

Mas se ele saísse
Do sono profundo
Um grande incêndio

Acabava o mundo."








Olha pro céu - Luiz Gonzaga/José Fernandes (1951)


"Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pr'aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo.

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João.

Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o teu olhar
Que incendiou meu coração."



segunda-feira, 1 de junho de 2015

CHEGOU O MÊS MAIS NORDESTINO DO ANO: AS FESTAS JUNINAS

Foto: CODEC/PB


Chegou junho! E com ele o período mais nordestino do ano, tempo de festas juninas. Tradicional época de muita música, brincadeiras tradicionais e comidas típicas tão relevadas na obra do Rei do Baião. Não à toa era filho de um puxador de fole que fazia muito sucesso no pé da serra do Araripe, principalmente nesse mês.

Nos festejos juninos comemoramos os dias de três santos da Igreja Católica: Santo Antônio (dia 13), São João (24) e São Pedro (29). Entretanto, tradicionalmente as festas se dão nas vésperas - 12, 23 e 28. É tempo de milho, canjica, pamonha, munguzá, pé-de-moleque, arroz doce, bolos diversos, quentão, entre outras iguarias da culinária do Nordeste. Sem esquecer das fogueiras, bandeirolas, brincadeiras, quadrilhas e fogos de artifícios.

A história dos festejos juninos remontam ao período Pré-gregoriano como uma festa pagã em comemoração à fertilidade e à boa colheita nas lavouras nos solstícios de verão. Por ser um período mais frio a fogueira acabou sendo introduzida para aquecer o povo da temperatura baixa. Sempre acontecendo em meados do dia 24 de junho, o dia de São João para nós brasileiros.

Mas antes de reverenciarem Santo Antônio, São João e São Pedro as festas eram chamadas de Joaninas em homenagem à João Baptista, o homem que batizou Jesus Cristo nas águas do Rio Jordão segundo a Bíblia. Porém, como o tempo transformou-se numa comemoração do catolicismo para os três santos já citados.

No Brasil foram trazidas pelos nossos colonizadores portugueses e rapidamente se tornaram populares de norte a sul do país. Contudo, foi no Nordeste que o mês junino enraizou-se na cultura local. 



Luiz Gonzaga nasceu e cresceu num berço que contemplava ativamente os dias de junho, pois Januário, seu pai, como bom tocador de fole da região de Exu animava os terreiros do sertão durante todo o mês. 

Na sua obra está bastante presente a reverência ao mês mais nordestino do país, com clássicos como "São João na roça" (vídeo acima), "Olha pro céu", "Noites brasileiras", "Fogo sem fuzil", "São João sem futrica", entre outros. Podemos facilmente afirmar que as festas juninas hoje têm como padrinho Luiz Gonzaga, o maior responsável pela sua popularização e por sempre levar o nome do seu Nordeste a todos os lugares do Brasil.

Infelizmente com o passar dos anos a tradição dos festejos de junho vem sendo deixada de lado. Os forrós de verdade vêm perdendo espaço para um ritmo musical que nada tem a ver com obra do Rei do Baião, fora os artistas que se apresentam no período nas cidades que também não têm nada a ver com o legítimo forró. 

De um lado ainda persistem os seguidores fiéis da obra do Rei que militam na sua música eternizada, vestidos com as roupas típicas do Nordeste, seguindo o ritmo do conjunto triângulo, sanfona e zabumba que Gonzaga inovou. Essa sim a verdadeira tradição das festas juninas. Do outro, os que insistem em deturpar a musicalidade do Velho Lua, empregando à sonoridade tão característica do baião e do forró instrumentos que em pouco ou nada se relacionam com o estilo empregado pelo seu precursor, como trompetes, guitarras, baterias eletrônicas e sintetizadores. Além disso, as letras estão ficando cada vez mais obscenas em cada estrofe. O duplo sentido sempre fez parte da cultura musical brasileira, mas a diferença está no grau de vulgaridade imposto nas músicas.

Em todo caso, respeitando-se os gostos, fica o legado imensurável deixado por Luiz Gonzaga não só para a música brasileira, mas para o folclore de nosso país! E viva Santo Antônio, São João e São Pedro!


São João na roça - Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)


"A fogueira tá queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou
Vamos gente, rapá pé nesse salão!

Dança Joaquim com Zabé
Luiz com Iaiá
Dança Janjão com Raqué
E eu com Sinhá.

Traz a cachaça, Mané!
Que eu quero ver

Quero ver paia avoar!"


Link do vídeo: https://youtu.be/pOShIg-zKkU