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terça-feira, 17 de julho de 2018

LUAR DO SERTÃO

Imagem: Reprodução/YouTube


A canção "Luar do Sertão" é uma das mais gravadas da história da música popular brasileira. Composta por Catulo da Paixão Cearense (que era maranhense de nascimento) e João Pernambuco no longínquo ano de 1914, é uma música que reverencia as belezas do sertão nordestino e da paixão que o sertanejo sente por sua terra amada.

E se o tema da obra é belezas do Nordeste com certeza o Rei do Baião Luiz Gonzaga ia se interessar por ela. Tanto que, em 1981, ao lado de outro gênio da nossa música, o mineiro Milton Nascimento, gravou-a para o LP "A festa".

Três anos depois Gonzagão recebeu o Prêmio Shell, evento cultural patrocinado pela multinacional petrolífera de mesmo nome que premia os destaques da música e do teatro brasileiros em cada ano. Nomes como Pixinguinha, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Braguinha, Herivelto Martins e outros gênios de nossa arte também foram agraciados com a honraria.

E na apresentação do Prêmio Shell de 1984, ao lado de Sivuca e Oswaldinho do Acordeon, Luiz Gonzaga cantou e tocou com direito a acompanhamento de orquestra sinfônica esse clássico da nossa música. Confira no vídeo abaixo.




Luar do Sertão - Catulo da Paixão Cearense/João Pernambuco (1914)


"Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão

Ó, que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão
Esse luar lá na cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão

Se a Lua nasce por detrás da verde mata
Mas parece um Sol de prata
Prateando a solidão
E a gente pega a viola que ponteia
E a canção e a lua cheia
A nos nascer do coração

Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão

Coisa mais bela neste mundo não existe
Do que ouvir um galo triste no sertão se faz luar
Parece até que a alma da lua descansa
Escondida na garganta desse galo a soluçar

Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão

Ah, quem me dera eu morresse lá na serra
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
Onde à tarde a sururina chora a sua viuvez

Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão..."



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O SONHO DE INFÂNCIA REALIZADO

Foto: Autor desconhecido


Luiz Gonzaga tinha desde a infância o desejo de se tornar um artista famoso com sua sanfona. Após sua fuga de casa, sua passagem pelo Exército e sua aventura pelo baixo meretrício e casas noturnas do Rio de Janeiro, o sonho havia sido alcançado. Era famoso, talentoso e requisitado. Então o que faltava mais para Lua? Cantar... 

Nos contratos que mantinha com as rádios e com as gravadoras não lhe era permitido cantar suas músicas, e isso lhe frustrava muito. Até que certa vez, em 1945, Gonzaga usou a criatividade para ludibriar o então diretor da RCA Victor, que era um dos que achava que o sanfoneiro não tinha voz para a cantoria, Vitório Lattari. Chegou à sala de Lattari afirmando que estava de saída para a concorrente Odeon, pois lá tinham lhe garantindo a oportunidade de gravar como cantor. Era um blefe!

O diretor acreditou e, temendo perder o artista que já era um sucesso de vendas de discos, rendeu-se aos seus pedidos. Em 11 de abril daquele ano, o então Rei da Sanfona entrou nos estúdios para gravar sua primeira música como cantor, a mazurca "Dança Mariquinha", de sua autoria em parceria com o letrista Miguel Lima. O sonho do garoto do sopé da serra do Araripe estava, enfim, totalmente realizado!

Confira abaixo a primeira gravação cantada da carreira de Gonzaga na voz de Socorro Lira e na sanfona de Oswaldinho do Acordeon, durante apresentação do "Samba do Rei do Baião" na Virada Cultural de São Paulo em 2013. Constam ainda no grupo Osvaldinho da Cuíca, Papete, Jorge Ribbas, Cado Valverde, Ana Eliza Colomar, Rosa Macedo e Cidão 7 Cordas.




Dança Mariquinha - Luiz Gonzaga/Miguel Lima (1945)

"Dança, dança, Mariquinha 
Para o povo apreciar 
Essa boa mazurquinha 
Que pra você vou cantar 
Ouça, meu bem a sanfona tocar 

Quitiribom, quitiribom, 
Tocar no baixo desse acordeon 
Quitiribom, quitiribom, 
Que mazurquinha 
Que compasso bom! 

Quando pego na sanfona 
A turma se levanta 
E pede uma mazurca 
Quando bato a mão no fole 
Sei que a turma toda vai ficar maluca 

Todo mundo se admira 
Com fraseado que a sanfona diz 
Quando acaba a contradança 
O povo admirado ainda pede bis."