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segunda-feira, 29 de junho de 2020

O SANTO DAS CHAVES DO CÉU

Imagem: Reprodução


Estamos praticamente no final do mês mais nordestino do Brasil. E neste epílogo dos festejos juninos comemora-se o dia de São Pedro, mais precisamente nesta data de 29 de junho. 

Pedro nasceu Simão no ano de 1 a.C em Betsaida, onde hoje é compreendido o território da Palestina, e depois se mudou juntamente com os pais para Cafarnaum. Era pescador e futuramente se tornaria um dos apóstolos de Jesus Cristo segundo os relatos bíblicos. 

Consta na Bíblia um acontecimento conhecido como "Pesca Milagrosa", onde Simão estava na margem do lago de Genesaré arrumando suas redes e queixando-se por uma época difícil com escassez na pescaria. Foi daí que Jesus aproximou-se e pediu-lhe que o ajudasse no transporte de barco até o outro lado do lago, pois queria dar um sermão para muitos fiéis que o aguardavam. Após o encontro com a multidão, Cristo retornou ao barco, chamou o pescador e disse-lhe que jogasse a rede na parte mais profunda das águas.

Simão disse, então, a Jesus que já havia feito isso e que não havia pescado nada naquele dia. Cristo insistiu e ele atendeu mais uma vez seu pedido. O futuro apóstolo jogou a rede e esperou. Jesus disse-lhe para que retomasse as redes e o que se viu foi centenas de peixes pescados, sendo preciso mais dois outros barcos para poder levar toda a pescaria para a margem. A partir deste episódio Simão ganhou o nome de "Pedro" (que significa pedra) e foi transformado por Jesus Cristo num "pescador de homens", conforme as escrituras sagradas.

Imagem: Blog Ide e anunciai


Pedro foi o primeiro bispo de Roma, que é considerado o papa da Igreja Católica. Desta feita, foi também o primeiro pontífice da história da humanidade. Seu reinado na Igreja Católica durou 37 anos. Em 67 d.C foi martirizado durante o governo de Nero no Império Romano numa cruz de cabeça para baixo. Tal feito, diz-se, que foi um pedido do apóstolo para que não fosse morto da mesma forma que Jesus, pois não era digno de padecer da mesma forma que seu mestre. Até os dias atuais é um dos santos mais venerados pelos fiéis, pois segundo a religião é o guardião das chaves dos céus.

Assim como as comemorações dos demais santos de junho, o dia de São Pedro é marcado pelas tradicionais quadrilhas, fogueiras, fogos de artifício, muito forró (de verdade), comidas típicas e alegria. Infelizmente em 2020 isto não poderá ser feito para a população em geral por motivo da pandemia do coronavírus que nos assola no momento. Entretanto, nada impede que a festa seja feita em casa com a família. Por isso insistimos: #FiqueEmCasa, de preferência ao som do Rei do Baião Luiz Gonzaga.

E falando no Velho Lua, como não poderia ser diferente, o sanfoneiro tratou de celebrar em sua magnífica obra musical as festas juninas. Gonzagão fez nenhuma gravação específica para São Pedro, mas citou o santo em várias composições como a que podemos ver e ouvir no vídeo abaixo com a conhecidíssima "Polca fogueteira", junto com seu irmão Severino Januário puxando magnificamente o fole de 8 baixos.




Polca fogueteira - Luiz Gonzaga (1958)


"Ai, ai, ai, que polquinha fogueteira
Vou dançar lá na beira de fogueira
Dando vivas a São Pedro e São João
O meu benzinho bem juntinho ao coração."


sábado, 27 de junho de 2020

DA GUERRA AOS FESTEJOS JUNINOS

Foto: Jorge Farias 


Entre as tantas tradições juninas, conforme já citamos algumas aqui no blog, há a do desfile dos bacamarteiros. Ritual seguido há mais de um século e meio nas festas pelo Brasil a fora, principalmente no Nordeste, e que é um bonito espetáculo que une o folguedo, a paramentação dos participantes, a dança e a música.

Vamos começar com um pouco da história do armamento, que foi tão utilizado em vários conflitos bélicos mundo a fora. O bacamarte é uma arma de fogo de cano curto, mas de boca larga e bem reforçada na coronha - com o passar do tempo o cano também foi alongado. Sua origem é francesa e por lá leva o nome de "braquemart". É uma arma bastante pesada se comparada aos dias atuais, chegando a pesar cerca de 15kg. Possui um grosso calibre para que possa espalhar a carga de chumbo que carrega. 

Segundo os pesquisadores do assunto o bacamarte já era utilizado na década de 1850 no território brasileiro principalmente nos navios da Marinha e, depois, largamente utilizado na Guerra do Paraguai, que ocorreu entre 1864 e 1870, em que o país vizinho enfrentou Brasil, Argentina e Uruguai - a chamada Tríplice Aliança.


Foto: Reprodução/Leslie Diniz Leilões



Agora voltando pra tradição junina observa-se que os armamentos foram modificados ao longo dos anos para serem incorporados às festas de junho como uma forma de homenagearem os santos padroeiros. Os bacamarteiros atiram contra o chão uma carga de pólvora seca que solta muita fumaça e faz um barulho bastante similar ao dos fogos de artifício, criando um bonito efeito. 

Afora os tiros dados, os grupos de bacamarteiros desfilam e realizam coreografias sempre animadas por um forró autêntico tocado por alguns membros que tocam sanfona, zabumba e triângulo. Além dos atiradores em cada grupo sempre há os tocadores, como dito, os porta-estandartes e os porta-bandeiras. Tal tradição junina é registrada nas festas já a partir da Guerra do Paraguai, na década de 1870.

E como não poderia ser diferente, Luiz Gonzaga, contumaz admirador da cultura brasileira e notadamente das tradições das festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, levou à sua obra toda a arte do bacamarte. Em 1981, juntamente com Janduhy Finizola, o Rei do Baião compôs "Os bacamarteiros" para contar um pouco de mais esta rica história que povoa os festejos juninos, conforme você pode conferir no vídeo abaixo.

E não esqueça: #FiqueEmCasa!




Os bacamarteiros - Luiz Gonzaga/Janduhy Finizola (1981)


"Chegou São João
É tempo do baque
Do baque do bacamarte
Que o bacarmateiro tem.

Vê quantos guerreiros, granadeiros
A riúna e a colubrina
Aglutina o batalhão

Cobrem-se de cor do infinito
São vistosos, revoltosos
Do começo da nação

Salvas nas ressalvas do passado
Chega o cheiro da fumaça
Descompassa o seu sofrer

Dança e descansa na lembrança
Do que foi a grande guerra
Ao lutar no Paraguai

Segure a arma, o bacamarte é esta arte
De saber fazer um tiro
De ilusão e tradição

Bacarmateiro, eu quero o coice deste tiro
Só assim eu sei que tiro
Tanta dor do meu viver

Um passo à frente 
Que a mesura apura o grito
Carrega o fogo que tem fogo pra brincar

Bacarmateiro
Vê se acerta em meu destino
Este tino em desatino sem calibre pra atirar."


domingo, 14 de junho de 2020

O SANTO CASAMENTEIRO

Imagem: Franciscanos.org.br


Ontem foi o dia de Santo Antônio, um dos três santos mais comemorados nos festejos juninos. Treze de junho é a data em que Antônio de Lisboa (ou de Pádua) faleceu. O santo  nasceu na capital portuguesa em 15 de agosto entre os anos de 1191 e 1195 e seu nome de batismo era Fernando.

Santo Antônio é conhecido como "santo casamenteiro" e também é exaltado para encontrar objetos perdidos. Foi descendente de uma família de muitas posses. Entretanto, por volta de 1210 abdicou de toda sua fortuna familiar para ser admitido na ordem dos franciscanos. Depois de pregar pelo continente africano retornou à Europa, mais precisamente a Pádua na região do Vêneto na Itália, para dar continuidade à sua rotina de evangelização.

Antônio era um grande orador, tinha muita capacidade de falar para as multidões, e assim trazia milhares de pessoas para seus sermões. Era também um grande conhecedor da Bíblia. Em 1231, com a saúde fragilizada,faleceu na mesma cidade italiana em 13 de junho com apenas 35 anos. Está sepultado em Pádua. No local de sua tumba foi construída uma basílica em sua memória, onde pode-se encontrar seus restos mortais - a língua, a barba e as cordas vocais - bem preservados.


Foto: Acontece Botucatu


Sua tradição de fazer casamentos é seguida até os dias de hoje. Algumas "simpatias" vão desde separar o santo do menino Jesus até mesmo deixar sua imagem de cabeça para baixo dentro de um copo com água. Nas festas juninas muitas brincadeiras são feitas em referência ao santo, como subir no pau de sebo, hastear o pau da bandeira, fazer adivinhações, escrever o nome do(a) pretendente com um facão num tronco de bananeira, entre outras.

Várias cidades que têm Santo Antônio como padroeiro pelo Brasil fariam muitas festas se não fosse a situação atual em que vivemos em virtude da pandemia do coronavírus. Mas tem tempo normais, missas, procissões e celebrações variadas são realizadas com a presença de muitos devotos.

O Rei do Baião Luiz Gonzaga, como devoto da religiosidade e profundo admirador das tradições juninas, enalteceu o santo em sua obra. Abaixo, Gonzagão homenageia a festa de Santo Antônio com uma música de mesmo nome, composta por Alcymar Monteiro e João Paulo. Nela, os autores reverenciam a conhecida festa em homenagem ao santo casamenteiro na cidade de Barbalha/CE, onde muitas das tradições ligadas a ele são citadas. E não esqueça: #FiqueEmCasa.




Festa de Santo Antônio - Alcymar Monteiro/João Paulo (1987)


"A festa de Santo Antônio
Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre
Pra ver o pau da bandeira.

Olha quanta alegria, que beleza
A multidão faz fileira, hoje é dia
Vamos buscar o pau da bandeira
Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça
Só num bebe quem num quer.

Só se houve o comentário
Lá na igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz
Reza-se lá na matriz.

Meu Santo Antonio casamenteiro
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro."

sábado, 3 de junho de 2017

O MÊS MAIS NORDESTINO DO ANO

Arte: Neli Neto


Chegou o período mais nordestino do ano, tempo de festas juninas. Tradicional época de muita música, brincadeiras e comidas típicas tão relevadas na obra do Rei do Baião. Não à toa era filho de um puxador de fole que fazia muito sucesso no pé da serra do Araripe, principalmente nesse mês.

Em junho, tradicionalmente, as festas se dão nas vésperas dos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro - 12, 23 e 28 respectivamente -, santos da Igreja Católica. É tempo de milho, canjica, pamonha, munguzá, pé-de-moleque, arroz doce, bolos diversos, quentão, entre outras iguarias da culinária do Nordeste. Sem esquecer das fogueiras, bandeirolas, brincadeiras, quadrilhas e fogos de artifícios. Pena tais tradições estarem sendo esquecidas nos últimos tempos e uma completa deturpação do espírito junino conforme podemos conferir no post anterior.

A história dos festejos remontam ao período Pré-Gregoriano como uma comemoração pagã em reverência à fertilidade e à boa colheita nas lavouras nos solstícios de verão. Por ser um período com temperaturas mais baixas a fogueira acabou sendo introduzida para aquecer o povo do frio. Sempre acontecendo em meados do dia 24 de junho, o dia de São João para nós brasileiros.

Mas antes de reverenciarem os santos do mês as festas eram chamadas de Joaninas em homenagem à João Baptista, o homem que batizou Jesus Cristo segundo a Bíblia. Porém, com o tempo transformou-se numa comemoração do catolicismo para os padroeiros já citados. Aqui para o Brasil foram trazidas pelos colonizadores portugueses e rapidamente se tornaram populares de norte a sul do país. Contudo, foi no Nordeste que o mês junino enraizou-se na cultura local. 


 Foto: André Hilton/TV Asa Branca


Luiz Gonzaga nasceu e cresceu num berço que contemplava ativamente os dias de junho, pois Januário, seu pai, como bom tocador de fole da região de Exu/PE animava os terreiros do sertão durante todo o mês com seu pé de bode de 8 baixos. Na sua obra está bastante presente a reverência ao período mais nordestino do país, com clássicos como "São João na roça", "Olha pro céu", "Noites brasileiras", "Fogo sem fuzil", "São João sem futrica", entre outros.

Podemos facilmente afirmar que as festas juninas hoje têm como padrinho Luiz Gonzaga, o maior responsável pela sua popularização e por sempre levar o nome do seu Nordeste a todos os lugares do Brasil.

Infelizmente com o passar dos anos a tradição dos festejos de junho vem sendo deixada de lado. Os forrós de verdade vêm perdendo espaço para ritmos musicais que nada têm a ver com obra do Rei do Baião, fora os artistas que se apresentam no período nas cidades que também não têm nada a ver com a legítima cultura junina.

De um lado ainda persistem os seguidores fiéis da obra do Rei que militam na sua música eternizada. Essa sim a verdadeira tradição musical das festas juninas. Do outro, os que insistem em deturpar a musicalidade do Velho Lua, empregando à sonoridade tão característica do baião e do forró instrumentos que em pouco ou nada se relacionam com o estilo empregado pelo sanfoneiro. Além disso, as letras estão ficando cada vez mais obscenas em cada estrofe. O duplo sentido sempre fez parte da cultura musical brasileira, mas a diferença está no grau de vulgaridade imposto nas gravações.

Em todo caso, respeitando-se os gostos, fica o legado imensurável deixado por Luiz Gonzaga não só para a música brasileira, mas para o folclore de nosso país! No vídeo abaixo a clássica "Fogueira de São João", composta por Gonzagão e Carmelina em 1962, para começarmos a entrar no verdadeiro ritmo junino. Viva Santo Antônio, São João e São Pedro! Ah, e não esqueçamos: #DevolvaMeuSaoJoao!




Fogueira de São João - Luiz Gonzaga/Carmelina (1962)


"Na fogueira de São João
Eu quero brincar
Quero soltar meu balão
E uns foguinhos queimar.

Seu Januário
Venha ser o meu parceiro
Não esqueça a sanfona
Para animar o terreiro.

Traga a famia
Que nós têm muito prazer
De dançar com suas fia
Até o dia amanhecer."



quinta-feira, 16 de junho de 2016

AS QUADRILHAS JUNINAS

Imagem: Reprodução/Portal São Francisco


Estamos no mês das festas juninas com suas tradições seculares - comidas típicas, brincadeiras, fogos, fogueira e a quadrilha. Você, amigo leitor, que aprecia os festejos certamente já foi a um "arraiá" e dançou uma quadrilha. Refiro-me às tradicionais, pois na mesma onda da "pseudo-modernização" da música nordestina com essas bandas atuais estão as quadrilhas "estilizadas", que mais parecem desfiles de escola de samba tamanha a ornamentação e paramentação do local e dos participantes.

Gostos à parte, vamos nos ater à tradição junina da quadrilha, que é uma dança típica dos festejos de Santo Antônio, São João e São Pedro que reúne pares com trajes característicos caipiras, tais como camisas e vestidos quadriculados, chapéus de palha, calças remendadas, mulheres vestidas de noiva, homens trajados de padre, delegado e outras figuras regionais.

Essa tradição vem desde o século XVIII na França com influências holandesa e portuguesa. Era dançada pela elite europeia e veio para o Brasil durante o período da Regência, na década de 1830, e ficou bastante popularizada no meio aristocrático com o nome "Quadrilha de Arraiais". Com o passar do tempo a quadrilha foi se enraizando na cultura brasileira, mais intensamente no Nordeste.

Até hoje ainda há resquícios da influência francesa na quadrilha junina. É só prestar atenção no puxador da dança quando ele fala as expressões "Alavantur" (En avant tout - para frente), "Anarriê" (En arrière - para trás), entre outras, que são palavras da língua francófona.

Luiz Gonzaga sempre foi um entusiasta das festa juninas, tradição que ele foi o principal artífice de sua popularização por todo o Brasil. Na sua obra são várias as músicas que tratam da época, inclusive algumas especialmente feitas para as quadrilhas como a do vídeo abaixo - uma mistura de vários sucessos do Rei do Baião presentes no LP "Quadrilhas e marchas juninas", de 1965, que são bastante usadas até hoje. 




"Fim de festa" (Zito Borborema), "Polca fogueteira (Luiz Gonzaga), "Lascando o cano" (Luiz Gonzaga/Zé Dantas), "Pagode russo" (Luiz Gonzaga) e "Fogueira de São João" (Luiz Gonzaga/Carmelina) - LP Quadrilhas e marchinhas juninas (1965)


Instrumental




Já no vídeo abaixo temos um legítimo puxador de quadrilha, interpretado pelo saudoso humorista Chico Anysio na voz do famoso personagem Professor Raimundo. E Luiz Gonzaga como se estivesse participando da dança tradicional.




Quadrilha chorona - Luiz Gonzaga/Maranguape - part. especial Chico Anysio (1986)

"(Luiz Gonzaga)

- Atenção pessoal!
- Vamos dançar a quadrilha?
- O quadrilheiro é o Professor Raimundo.
- Vindo diretamente de Maranguape.
- O Homem é bom, o homem é espetacular!
- Muito respeito, muita ordem!
- Preste atenção.
- Professor Raimundo? Assuma o comando!

(Professor Raimundo - Chico Anysio)

- Me dê licença!
- Atenção pessoal!
-Vamos dar início ao começo, do princípio.
- Da prossiguinação, da largada, da quadrilha!

(Luiz Gonzaga)

- Vixe!
.
(Professor Raimundo)

- Metade do lado de cá, outra metade da banda.
- Do lado de lá.
- Atenção!
- Damas e cavalheiros procurem seus pares.
- Compadre Lula?

(Luiz Gonzaga)

- Eu!

(Professor Raimundo)

- Cadê o "piano de joelho"?
- Estique esse fole, macho!
- Marca-passo. Calma!
- Alavantur!
- Quer dizer pra frente.
- Anarriê!
- Quer dizer todo mundo pra trás
- Marcha-ré, isso!
- Se afaste, se afaste!
- Se esfregando nas muié, não dá!
- Balancê!
- Cada par em seu lugar, isso!
- Atenção!
- Alavantur de damas!
- Só as mulher no meio do salão.
- Atenção!
- Alavantur de cavaleiros!
- Cuidado! Direita com direita.
- Esquerda com esquerda.
- Atenção!
- Golpear as damas!
- Péra! Que é que eu disse?
- De faca não, de faca não!
- Atenção!
- Trevessê!
- Balancê! 
- Se balança pessoal!
- Atenção!
- Tu... Pode ir balançar com as damas.

(Menino)
- Moleque também quer entrar.

(Professor Raimundo)

- Moleque não pode ir na roda, de jeito nenhum.
- Já falei, já falei. 
- Atenção!
- Cada par em seu lugar.
- Atenção, pessoal!
- Beijo de anjos.
- Agora beijo dos marmanjos!
- Eita!
- Mulher bonita da porr... 
- Atenção!
- Rodar pra esquerda!
- Calma!
- Agora pra direita!
- Em seus lugares!
- Balancê!

(Menino)

- Homem, me pisaram nos pés.

(Professor Raimundo)

- Na mão é que não podia ser, Severino!
- Alavantur!
- Anarriê!
- Atenção pra grande roda.
- Grande roda, já!
- Todo mundo de mão dada.
-Isso!
- Não taca tijolo no lampeão, Alfredinho!
- Quem é o engraçadinho que tá com arma de fogo no salão?
- Eu chamo a polícia.
- Balancê!
- Atenção pro trançadinho!
- Já! Dama cara a cara com o cavalheiro.
- Você aí, Zé Comprido, tire o chapéu e o sapato pra ficar igual ao outros.
- Sim!
- Atenção!
- Agora todo mundo sorrindo.
- Nem que seja a força.
- Par com par olhando pro fotógrafo.
- Pra tirar retrato, cabrão!
- Balancê!
- Tem que ter um homem parado.
- Vai dizer que lhe roubaram a dentadura?
- Só tem ladrão.
- Caminho da roça!
- Já!
- Seguem os homens na frente.
- As mulheres, atrás.
Peraí, peraí, peraí
- Tira as mãos do bolso do vizinho, sem vergonha!
- Atenção, pessoal, lá vem a chuva!
- Foi só pra enganar.
- Atenção!
- Segue em frente.
- A ponte tá quebrada, todo mundo pra trás.
- Atenção! 
- Faz que vai, mas não vai.
- Balancê!
- Preparar pro granchê.
- Já!
- Acabou o querosene do lampião.
- Que se môla!
- Miguelzinho Pontes, traz um lampião.
- Quadrilha no escuro não presta!
- Granchê!
- Segue sempre granchê!

(Luiz Gonzaga)

- Quando chegar no...

(Professor Raimundo)

- ... Vai balancear!
- Atenção!
- Grande roda, já!
- Em formação de estrela.
- Vamos girando igual as estrelas.
- Canelada não vale, porca véia!
- Atenção!
- Meia volta! Mais meia volta.
- Grande roda!
- Já!
- Balancê!
- Atenção pra fazer o túnel.
- É já!
- Atenção, pessoal!
- Quando terminar o túnel...
- ...Grande roda!
- Atenção, pessoal!
- Todo mundo de mão dada.
- Ignácio e Guariba puxam a fila!
- Compadre Lua, dê um descanso ao fole.

(Luiz Gonzaga)

- Obrigado, Professor!

(Professor Raimundo)

- Moças ao guichê!

(Luiz Gonzaga)

- Oba!

(Professor Raimundo)

- Cavalheiro não come!

(Luiz Gonzaga)

- Ohhhhhh!"



quarta-feira, 8 de junho de 2016

ACENDENDO A FOGUEIRA

Foto: Reprodução/Coberturadasnoticias.com


Os festejos juninos são repletos de símbolos e tradições. E dentre eles destacamos a fogueira. Acendê-la tem origem numa lenda cristã que remonta ao nascimento de João Baptista. 

Diz-se que Isabel, mãe de João, acendeu uma grande fogueira no alto de um monte para que Maria, sua prima e mãe de Jesus, fosse avisada do parto - ela também estava grávida nesta época do filho de Deus. Tal atitude foi fruto de um acordo entra ambas durante a gravidez do então futuro santo. 

Como Maria, Isabel também engravidou de forma inesperada. Não era mais virgem, pois era casada com o sacerdote Zacarias. Porém, afirmava estar infértil e tinha idade avançada quando teve o último filho.  João se tornou um pregador e ficou conhecido por batizar as pessoas nas águas do Rio Jordão, onde ganhou o apelido de "Batista".

Abaixo uma das tantas músicas em que o Rei do Baião Luiz Gonzaga enaltecia as tradições de junho - no caso citando a fogueira. Cantando em parceria com sua irmã Chiquinha Gonzaga a clássica marchinha junina "Fogueira de São João", de Gonzagão e Carmelina.



Fogueira de São João - Luiz Gonzaga/Carmelina (1962)


"Na fogueira de São João
Eu quero brincar
Quero soltar meu balão
E foguinhos queimar.

Seu Januário,
Venha ser o meu parceiro
Não esqueça da sanfona
Para animar o terreiro.

Traga a famía
Que nóis tem muito prazer
De dançar com suas fia
'Té o dia amanhecer..."