sábado, 14 de março de 2020

50 ANOS SEM O CORONÉ

Foto: Reprodução/Medium.com


Neste exato dia 14 de março uma figura muito conhecida e histórica do Nordeste nos deixava há 50 anos. Trata-se do Coronel Ludugero, personagem que marcou época no humorismo das rádios do Brasil, sobretudo as nordestinas. E que como tantos outros teve sua trajetória também ligada ao Rei do Baião Luiz Gonzaga.

Luiz Jacinto Silva nasceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 27 de setembro de 1929. Filho de um comerciante, fez de quase tudo um pouco na sua juventude: ajudou seu pai a fabricar selas de cavalos, foi escoteiro, trabalhou em padaria, na construção civil, como servidor dos Correios e como radialista. Aliás, este último ofício aconteceu na Rádio Cultura do Nordeste.

Em 1947 seguiu para Recife ainda como empregado dos Correios, mas logo Luiz Jacinto percebeu sua veia cômica e começou a desenvolver-se na vida artística. Em 1960 conheceu o compositor e radialista Luiz Queiroga e, daí, a parceria foi formada para dar uma guinada na vida do humorista caruaruense. Junto com Queiroga e Hilton Marques, radialista e roteirista da TV Rádio Clube de Recife, Luiz criou o personagem que marcaria época na cultura nordestina: o Coronel Ludugero. 


Foto: Autor desconhecido


O Coronel Ludugero era uma sátira bem humorada dos coronéis do sertão do Nordeste. Casado com Dona Felomena, era um homem de poucas palavras, mas que contava muita vantagem de seus feitos. Era também um exímio contador de histórias mirabolantes com seu sotaque bem carregado e inconfundível e de tocar viola.

No início o personagem do coronel apresentava-se sozinho, mas pouco tempo depois Luiz Jacinto conheceu Irandir Costa, que veio se tornar nas histórias de Ludugero o seu secretário Otrópe.

Durante 10 anos, Luiz Jacinto com seu Coronel Ludugero fez muito sucesso de Norte a Sul do Brasil levando muita alegria e boas risadas ao público que lhes ouvia nas ondas do rádio ou sem suas apresentações. Além do humor, Ludugero também gravou músicas, sendo 12 LPs lançados (4 póstumos).

Entre suas músicas mais conhecidas estão "O Rabo do jumento", "A rede véia", "O Xeleléu" e outras.


Foto: Autor desconhecido


E é aí que a obra de Ludugero cruza com a de Luiz Gonzaga. Artistas nordestinos, um contava com o respeito e admiração do outro. O Rei do Baião sempre apoiou e apreciou os talentos de sua terra e incluiu em seu repertório uma de suas músicas, além de citar o personagem em outra gravação. 

Luiz Gonzaga gravou "A rede véia", de Luiz Queiroga e Coronel Ludugero/Luiz Jacinto em 1989, além de "Ou casa, ou morre", de Elias Soares em 1967, na qual conta a história de uma filha "cheirada" por um filho do compadre Ludugero.

Luiz Jacinto faleceu em 14 de março de 1970 em Belém, no Pará, em um acidente aéreo na Baía de Guajará. Junto a ele estava seu parceiro de humor Otrópe. Tragédia esta que calou o talento artístico de dois grandes humoristas nordestinos que fizeram história. Mas a rica história do Coronel Ludugero sempre estará presente nas lembranças do povo e na cultura brasileira.




A rede véia - Luiz Queiroga/Coronel Ludugero (1969)


"Eu tava com a Felomena
Ela quis se refrescar
O calor tava malvado
Ninguém podia aguentar

Ela disse meu Lundru
Nós vamos se balançar
A rede véia comeu foi fogo
Só com nois dois pra lá e pra cá

Começou a fazer vento 
Com nós dois a palestrar
Felomena ficou bêba 
De tanto se balançar

Eu vi o punho da rede 
Começar a se quebrar
A rede veia comeu foi fogo
Só com nós dois pra lá e pra cá

A rede tava rasgada 
E eu tive a impressão
Que com tanto balançado 
Nós terminava no chão

Mas Felomena me disse
Meu véio vem mais pra cá
A rede véia comeu foi fogo
Só com nós dois pra lá e pra cá."

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