Foto: Divulgação/ Blog Nazaré Pereira do Brasil
Hoje, 31 de março, é uma data muito especial para os franceses. Foi neste dia, há 131 anos, que se inaugurou o maior cartão postal francês, quiçá da Europa: a Torre Eiffel. Um marco para a história da França e que marcou também a passagem do baião de Luiz Gonzaga.
Mas antes vamos conhecer um pouco da história da torre, que foi projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel e começou a ser construída em 1887 para ser o portal de entrada parisiense para a Exposição Mundial dois anos mais tarde.
A Torre Eiffel tem esse nome justamente em homenagem ao seu projetista. Possui uma altura de 324 metros e é a edificação mais alta de Paris. Sua construção foi tão marcante que até 1930 era a maior estrutura erguida pelo ser humano, sendo superada a partir de então após a inauguração do Edifício Chrysler nos Estados Unidos.
Foto: Abril Jones
A famosa construção é o ponto turístico pago para acessar mais visitado do mundo, com milhões e milhões de turistas de todas as partes do planeta subindo e descendo seus três níveis. O primeiro já dá um panorama completo da capital francesa, incluindo outras atrações famosas da cidade; o segundo tem um restaurante para os visitantes - ambos são acessíveis por escadas; por fim, o terceiro, que também serve como mirante e possui um museu de cera com personagens importantes da história do país. Acima do terceiro nível há uma antena transmissora de sinais de rádio e TV.
Estima-se que nesses 131 anos de existência a Torre Eiffel já tenha recebido mais de 200 milhões de pessoas e gerado bilhões de euros em dinheiro com ingressos, restaurante e souvenirs.
Foto: Autor desconhecido
Pegando o gancho do aniversário do símbolo maior da França, vamos aproveitar para relembrar a passagem de Luiz Gonzaga pela terra da Torre Eiffel nos anos 80. Nazaré Pereira, cantora paraense que havia muitos anos estava em território francês com sua música, gravou em 1978 um compacto que trazia em um dos lados a clássica "O cheiro da Carolina", de Zé Gonzaga e Amorim Roxo. O disco fez muito sucesso em solo europeu como era de se esperar. Daí surgiu a ideia da artista convidar o Rei do Baião e sua esposa Helena para uma visita e para fazer um show. Convite prontamente aceito.
Há três décadas Luiz Gonzaga já planejava levar o baião além das fronteiras brasileiras. Em uma entrevista á Revista do Rádio no ano de 1952 o sanfoneiro já tratava dessa possibilidade, visto que sua arte já havia chegado a outros países. Porém, essa viagem só ocorreu na década de 80 como veremos adiante.
Chegou o ano de 1982 e Gonzagão embarcou rumo à França com sua esposa e seu conjunto para finalmente levar o baião pessoalmente para o mundo afora.
Foto: Divulgação/ Blog Nazaré Pereira do Brasil
Luiz Gonzaga, Helena e Nazaré Pereira visitaram vários pontos turísticos parisienses e posaram para muitas fotos. Uma curiosidade engraçada dessa viagem é que a própria Nazaré afirma que numa certa vez quando foram a um restaurante para almoçar, Gonzagão não se agradou muitos dos pratos e da pouca quantidade que era servida. Cochichou em seu ouvido que tava com vontade de comer uma galinha com arroz e farofa. Obviamente o restaurante não dispunha do que o Rei do Baião pedira, mas a artista brasileira, muito respeitada e reconhecida na cidade, prometeu alguns discos aos garçons que providenciaram a iguaria do sanfoneiro pernambucano.
A primeira apresentação do Velho Lua na Cidade Luz ocorreu em 17 de maio de 1982, conforme o cartaz na imagem desta postagem, na casa de shows Bobino - notem o nome de Luiz Gonzaga grafado erradamente com "s". Logicamente a lotação foi esgotada pelo público francês querendo ver de perto a arte nordestina na voz e sanfona de Gonzagão. Nazaré Pereira também participou da apresentação fazendo dueto em "O cheiro da Carolina".
Foto: Divulgação/ Blog Nazaré Pereira do Brasil
O público era variado, com brasileiros que residiam na cidade, europeus de toda a parte, artistas e jornalistas franceses. Dentre os notáveis que se fizeram presente à apresentação de Gonzagão estavam a cantora baiana Maria Bethânia e o ex-ministro da Previdência Nascimento e Silva – curiosamente também chamado Luiz Gonzaga.
A estadia de Gonzaga durou duas semanas em solo parisiense, mas o suficiente para deixar a sua marca para sempre na cabeça, corações e ouvidos do público que lhe acompanhou.
Em 1986 retornou à Europa – novamente para a França – a fim de participar do festival "Couleurs Brésil" com os principais artistas da MPB, como Fafá de Belém, Moraes Moreira, Armandinho, Alceu Valença, Gilberto Gil e outros. As apresentações dos músicos brasileiros aconteceram durante cinco dias no Zénith, no Olympia e na Grande Halle de la Villette em Paris. Gonzaga ficou para o último dia e tocou e cantou para uma plateia entusiasmada de aproximadamente seis mil pessoas. Dentre os presentes prestigiando o sanfoneiro estava o então ministro da Cultura do Brasil Celso Furtado. Mais uma vez o baião era sucesso além do oceano, como é até os dias atuais.
Confira abaixo vídeos raros do Rei do Baião de 1982 passeando por Paris e cantando e tocando ao lado de Nazaré Pereira nos arredores da tradicional avenida Champs-Élysées, do Arco do Triunfo e da aniversariante do dia, a marcante e icônica Torre Eiffel.




Grande Luiz Gonzaga, um nordestino que orgulho ser seu conterrâneo, viva o rei do baião
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