terça-feira, 7 de abril de 2015

O TRIO SANFONA, ZABUMBA E TRIÂNGULO

Foto: autor desconhecido



A passagem de Luiz Gonzaga se mostrou de suma importância para o desenvolvimento e para a projeção da cultura nordestina. Dono de uma voz privilegiada e criador de ritmos, mesmo com a pouca escolaridade tinha uma imensa capacidade de dar musicalidade a versos e estrofes, além de inovar na formação do trio sanfoneiro, que consiste na tríade sanfona, zabumba e triângulo, onde mesmo sem nenhum acompanhamento técnico teve o discernimento de saber compensar as sonoridades do fole – do lado dos baixos (som grave) ficava o triângulo (som estridente, agudo); e do lado do teclado (som agudo) ficava a zabumba (som grave) – para tornar o ritmo ainda mais melodioso. 

Em uma entrevista concedida ao radialista baiano Perfilino Neto nos anos 70, Gonzaga falou como conseguiu unir os três instrumentos que tanto se completam. Nos shows o Rei do Baião se apresentava com orquestras acompanhando seu fole ou simplesmente com algum instrumento de percussão - normalmente pandeiro ou zabumba com os seus sons mais graves. Para o sanfoneiro faltava algum instrumento agudo para compensar o grave dos baixos. 

Certa vez em Recife viu na rua passar um vendedor de cavaco chinês, uma espécie de massa em forma de um canudo feita de farinha de trigo ou polvilho muito popular no Nordeste. O cidadão estava com o tradicional latão nas costas contendo a iguaria e na sua mão um triângulo para anunciar que estava no local a vender sua mercadoria. O som estridente do instrumento metálico chamou a atenção de Gonzagão. Neste momento encontrou o toque que procurava para completar sua "orquestra" e que até hoje faz sucesso e é sinônimo do bom e verdadeiro forró.





Forró no escuro - Luiz Gonzaga (1958) - No vídeo tocada pelo Trio Macaíba


"O candeeiro se apagou 
O sanfoneiro cochilou 
A sanfona não parou 
E o forró continuou...

Meu amor não vá simbora 
Não vá simbora 
Fique mais um bocadinho 
Um bocadinho 
Se você for seu nego chora 
Seu nego chora 
Vamos dançar mais um tiquinho 
Mais um tiquinho

Quando eu entro numa farra 
Eu num quero sair mais não 
Vou inté quebrar a barra
E pegar o sol com a mão..."


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