terça-feira, 24 de março de 2015

"PADIM CIÇO", O SANTO NORDESTINO


Foto: domínio público



Dia 24 de março é o aniversário de mais uma grande personalidade nordestina. Alguém que marcou época com seu estilo próprio e que, para muitos, é um santo. Estamos falando de Cícero Romão Batista, ou simplesmente Padre Cícero.

Nascido em 1844, ou seja, há 171 anos, na cidade do Crato, Cícero Romão era filho do comerciante Joaquim Romão Batista e da dona de casa Joaquina Vicência Romana. Ainda criança já sabia o que queria para o futuro: seguir o sacerdócio. Tanto que aos 12 anos de vida fez voto de castidade.

Em 1865 entrou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, até ordenar-se padre em 1870. Dono de uma oratória irretocável, era bastante conhecido e respeitado por seus sermões durante as celebrações religiosas. Em 1872 mudou-se com a família para o povoado do Juazeiro, vizinho ao Crato, que mais tarde se tornaria Juazeiro do Norte - seu "santuário".

Padre Cícero fazia parte da alta sociedade do Cariri. Era comerciante, dono de cabeças de gado, de imóveis e até político. Foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte em 1911, vice-governador do Ceará em 1914 e, finalmente, chegou a ser eleito deputado federal em 1926 (porém, sem assumir o cargo).

Além disso tinha a fama de "padre milagreiro" por um suposto milagre atribuído à hóstia ministrada pelo sacerdote à Maria de Araújo, a "Beata Mocinha", que em sua boca transformava-se em sangue. O fato não foi aceito pelo Vaticano.

Virgulino Ferreira, o famoso cangaceiro Lampião, era profundo devoto do Padre Cícero. Respeitando seus votos e conselhos, apesar do sacerdote não ter muito interesse em se aproximar de um transgressor das leis.

Padre Cícero faleceu em 20 de julho de 1934, aos 90 anos, deixando uma multidão de fiéis que todos os anos se encaminham ao Horto, local de peregrinação dos romeiros (nome dado aos peregrinos em virtude do "Romão" do padre), numa colina situada em Juazeiro do Norte onde também se encontra uma grande estátua em homenagem ao "santo nordestino". 


Foto: Normando Sóracles



"Padim Ciço", como é popularmente conhecido, fez parte de muitas obras literárias, da dramaturgia e da música brasileira. E com Luiz Gonzaga não poderia ser diferente, um cantador das coisas do Nordeste e admirador confesso do padre cearense.

Foram muitas canções que incluíam Padre Cícero ao longo da carreira do Rei do Baião, mas uma ele fez especificamente em homenagem ao sacerdote. A gravação que você ouvirá a seguir, feita para o LP "Danado de bom" de 1986, teve a participação especial de Benito di Paula.





Viva meu Padim - Luiz Gonzaga/João Silva - Part. Benito di Paula (1986)


"Olha lá
No alto do morro
Ele está vivo
O padre não tá morto!

Viva meu Padim!
Viva meu Padim!
Cícero Romão!
Viva meu Padim!
Viva também!
Frei Damião!

Eu todos os anos
Setembro e Novembro
Vou ao Juazeiro
Alegre e contente
Cantando na frente
Sou mais um romeiro

Vou ver meu Padim
De bucho cheio
Ou barriga vazia
Ele é o meu pai
Ele é o meu santo
É minha alegria

Olha lá
No alto do morro
Ele tá vivo
O padre não tá morto!"




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