quarta-feira, 18 de março de 2015

O CÚMPLICE DO REI

Foto: Reprodução/Livro "Vida de viajante: a saga de Luiz Gonzaga" (Dominique Dreyfus)



Eis na foto um dos grandes responsáveis pelo nome de Luiz Gonzaga ter percorrido o mundo da música com tamanho sucesso. Daí você pode me perguntar: "o que um homem de aparência simples, montado num cavalo, pode ter sido responsável pelo sucesso do Rei do Baião?". A resposta é simples e será dada a seguir.

É de conhecimento de todos que acompanham a história de vida de Gonzagão que em 1930 houve a clássica surra levada pelo então jovem Luiz de sua mãe Santana, por conta de um entrevero entre ele e o coronel Raimundo Olindo. A confusão tinha como motivo o amor escondido entre Gonzaga e Nazinha, filha de Raimundo, que era contra o relacionamento devido ao futuro sanfoneiro ser humilde. O restante da história é bem teatralizado na música "Respeita Januário", de autoria do Rei do Baião e de Humberto Teixeira.

Depois do episódio da surra Luiz Gonzaga ficou muito amargurado e envergonhado. Decidiu, então, fugir de casa. Foi ao encontro de um amigo vaqueiro, de nome Zé de Elvira, para pedir sua ajuda no plano. Este amigo lhe informou que no dia seguinte viajaria para o Crato para levar uma carga de farinha num caminhão e que ele poderia ir junto. Trato feito e Gonzaga voltou pra casa avisando aos pais que iria tocar na feira do Crato na segunda-feira.

Ficou combinado também com Zé de Elvira que se encontrariam logo cedo na estrada de terra batida que levava à cidade cearense, distante cerca de 60km de Exu e do outro lado da serra do Araripe. Ambos se encontraram na ladeira do Sítio Jenipapinho e seguiram viagem. Luiz Gonzaga levava algumas roupas num matulão e sua sanfona nas costas.


Foto: O Povo/Blog Plínio Bortolotti



A foto acima mostra o possível panorama que Luiz Gonzaga presenciou durante sua fuga na Chapada do Araripe entre Exu e Crato, que hoje é cortada pela Rodovia Asa Branca (PE-122). O jovem sanfoneiro e Zé de Elvira, ao chegarem na cidade do Crato, se separaram. Gonzagão vendeu sua sanfona e comprou uma passagem num trem cargueiro rumo à Fortaleza, onde se alistaria no Exército. E daí começou a saga de Luiz Gonzaga pelos próximos 59 anos.

E por ter sido "cúmplice" na fuga de Gonzaga é que podemos considerar o vaqueiro Zé de Elvira como um dos grandes responsáveis pelo que hoje representa o nome do Rei do Baião para a cultura do país.


Nenhum comentário:

Postar um comentário