domingo, 9 de agosto de 2015

DIA DOS PAIS

Foto: autor desconhecido


Neste segundo domingo de agosto comemora-se tradicionalmente o dia dos pais aqui no Brasil. Aquela figura que tradicionalmente é o chefe da família, que provém o sustento da casa em prol do futuro dos filhos. Se bem que nos dias atuais essa ideia está bem mudada, com muitas mulheres tendo importante participação nesse quesito.

Normalmente os filhos homens tendem a se espelhar nos pais. E a família de Luiz Gonzaga seguiu essa tradição com todos eles sabendo lidar na roça e com o fole na mão - mesmo que apenas três deles (o próprio Rei do Baião, Zé Gonzaga e Severino Januário) tenham seguido carreira profissional. E a influência de Januário foi decisiva para a brilhante trajetória de Gonzagão.

José Januário dos Santos nasceu no longínquo ano de 1888, mais precisamente no dia 25 de setembro no município de Floresta em Pernambuco. Cidade banhada pelo rio Pajeú e pelo Riacho do Navio, tão decantado por Luiz Gonzaga na música homônima de sua autoria e de Zé Dantas.

Em 1909 subiu a Serra do Araripe até chegar às margens do Rio Brígida, fixando moradia na fazenda Caiçara de propriedade de Gualter Martiniano de Alencar Araripe, o Barão de Exu. Nesta época Januário já era conhecido como um exímio puxador de fole de 8 baixos na região.

No mesmo ano casou-se com Ana Batista de Jesus, a Santana, com quem teve nove filhos de nascimento e dois por adoção. Dividia suas atividades entre a plantação da fazenda, os bailes que animava com seu fole e a oficina de conserto e afinação de sanfonas que mantinha em sua casa.


Foto: Reprodução/Facebook


Luiz Gonzaga foi o segundo desses onze filhos do casal Januário e Santana. O patriarca foi o grande influenciador da trajetória de Gonzaga em sua carreira, e durante todo o tempo em que levou a cultura nordestina Brasil a fora fazia questão de ressaltar a importância de seu pai não só como seu parente, mas como professor e inspirador. Não à toa várias músicas gravadas pelo sanfoneiro falavam do "Vovô do Baião" - a mais conhecida delas é "Respeita Januário", de sua autoria com Humberto Dantas.

"Luiz, respeita Januário!
Luiz, respeita Januário!
Luiz, tu pode ser famoso
Mas teu pai é mais tinhoso.
Nem com ele ninguém vai, Luiz.
Luiz, respeita os 8 baixos do teu pai..."

Depois da fuga de Luiz Gonzaga, ocasionada pela famosa surra dada por Santana com sua ajuda em 1930, Januário deixou seu pé de serra junto com toda a sua família dezenove anos depois para morar com seu filho famoso no Rio de Janeiro. Chegou a acompanhar Gonzaga em algumas festas e fez parte do grupo chamado "Sete Gonzagas", acima na foto, criado pelo Rei do Baião para uma temporada na Rádio Tamoio em 1952.

Apesar de bem instalado na capital federal junto de sua família num sítio em Miguel Pereira, onde tinha sua roça, Januário sentia muita falta de seu pedacinho de chão no pé da Serra do Araripe. Tanto que com a morte de Santana em 1960 voltou para Exu e neste mesmo ano casou-se pela segunda vez com Maria de Jesus, quase 40 anos mais nova.

Em 11 de junho de 1978, aos 90 anos, o patriarca dos Gonzagas faleceu vítima de problemas cardíacos em sua casa, onde hoje fica o Parque Aza Branca em Exu. 


Foto: Autor desconhecido


Januário foi a fonte de inspiração durante toda a obra de Luiz Gonzaga, fato que ele sempre fez questão de citar. Não à toa o pai foi mote para diversas composições, como a já citada "Respeita Januário", "O vovô do baião", "O maior tocador", "Adeus a Januário", entre outras.

O mesmo não se pode dizer de Gonzaguinha para com seu pai Gonzagão, que seguiram caminhos musicais totalmente diferentes. Entretanto, a influência musical do sanfoneiro certamente fez parte da sua carreira.

E tendo Januário como seu espelho na carreira, Luiz Gonzaga não poderia deixar de homenagear os pais neste dia. Em parceria com o também genial e saudoso Chico Anysio compôs "Dia dos pais" conforme podemos conferir abaixo.




Dia dos pais - Luiz Gonzaga/Chico Anysio (1959)


"Peço a Deus que não inventem
Dia dos pais no sertão.

Aqui o pai tem um fío
Quem tem dois tem uma porção.
No sertão dá-se uma encrenca
Isso lá não presta não.

Fío lá nasce de penca
Feito mato pelo chão

Eu sei que o dia é bonito
Falar mal dele eu não vou.

É um dia de alegria
Alegria, Deus, amor.
Todo fío nesse dia
A seu pai presenteou.

Mas os presentes, porém
Foi mesmo o pai quem comprou 
Ai...

Não tem porém alegria
Isso eu digo sem receio.

E não venha por desculpa
Uma tristeza no meio.
E nesses dia dos pais
Nesse dia de carinho.

Me alembro dos pobres fío
Que não tem mais seu paizinho.
Ai...

Enquanto uns tá feliz
Tá sirrindo, tá contente.

Você óia assim de banda
E no meio dessa gente

Tem gente que não tem pai 
Pro móde dá um presente.
Ai..."



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