sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

OS 75 ANOS DO LEGÍTIMO HERDEIRO DO REI

Foto: Eduardo Enomoto/R7


Há 75 anos nascia em Garanhuns, Pernambuco, o herdeiro do Rei. Hoje, 12 de fevereiro, é o aniversário de um dos virtuoses da sanfona que o Brasil já teve, Um genial compositor, músico e arranjador dono de um carisma incrível: José Domingos de Moraes, ou simplesmente Dominguinhos.

Ano passado postei sobre a data tão especial dedicada ao filho postiço de Luiz Gonzaga, assim considerado pelo próprio Rei do Baião, que agora reproduzo na publicação de hoje.

Filho de um músico, o sanfoneiro Chicão, seguiu a genética do pai e ainda criança já se apresentava nas feiras da cidade com seus dois irmãos: Valdomiro e Moraes. Os garotos formavam o trio "Os três pinguins" e Dominguinhos era ainda conhecido como Neném. Naquela época, apesar de saber tocar fole, seu instrumento era o pandeiro.

O ano de 1949 marcou a vida de Neném para sempre, pois Luiz Gonzaga iria se apresentar na cidade e os três irmãos foram demonstrar sua música para o Rei do Baião na porta do hotel Tavares Corrêa, onde o sanfoneiro estava hospedado. O Velho Lua não só aprovou o trio como deu-lhes seu endereço no Rio de Janeiro para que o procurassem no futuro. Em 1954 Dominguinhos e família finalmente chegaram à então Capital Federal e foram recebidos por seu padrinho musical, com o garoto de 13 anos ganhando logo uma sanfona de presente para dar início à sua fenomenal carreira.


Foto: Reprodução/Revista Radiolândia


“Ouçam bem esse cabra, o Dominguinho (sic). Toca pá daná e canta no jeito dos Gonzagas. Podem tomar nota: ele vai ser meu herdeiro artístico. Digo isso com a maior sinceridade e estou pronto a apoiar a sua carreira”. Este foi o relato Luiz Gonzaga para a reportagem especial acima feita para a extinta revista Radiolândia em 1957. No ano seguinte Dominguinhos (antes era sem o "s" mesmo) entrou em estúdio pela primeira vez com Gonzaga para gravar a clássica "Forró no Escuro", de autoria do Rei do Baião.

"O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
E a sanfona não parou
E o forró continuou..."

Tocou em danceterias, boates, bares, casas de shows e, com o tempo, foi se transformando num ícone da música nacional com a sanfona nas mãos. Um gênio aplaudido desdes os terreiros de chão batido nos forrós do interior até as grandes casas de espetáculos pelo mundo a fora. Não só dominava os teclados do fole como também era um exímio arranjador e compositor. Cantou e tocou ao lado de nomes consagrados, além de Gonzagão, como Elba Ramalho, Sivuca, Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos, entre outros.

Quando da morte de Luiz Gonzaga, em 1989, assumiu o trono de ícone máximo da música nordestina sempre levando à frente o legado de seu padrinho artístico. Ganhou diversos e merecidos prêmios musicais por sua obra, entre eles o cobiçado Grammy Latino de melhor disco regional em 2012 recebido de forma póstuma em 2013 durante seu velório em São Paulo.


Foto: CEDOC/TV Globo


Desde 2006 Dominguinhos lutava contra um câncer de pulmão e vinha resistindo bravamente. Mas quis o destino que sua última apresentação acontecesse justamente durante a maior homenagem que um artista nordestino já recebeu na história - no centenário de Luiz Gonzaga em Exu, no dia 13 de dezembro de 2012. E eu tive o privilégio de estar neste seu momento derradeiro nos palcos. Muito abatido, mas sempre demonstrando sua simpatia e alegria, cantou e tocou para uma multidão que tomava conta do local.

Quatro dias depois sentiu-se mal e foi levado a um hospital de Recife, onde permaneceu até 22 de janeiro e ser transferido para o Sírio-Libanês em São Paulo. Depois de mais de sete meses de luta pela vida e muito sofrimento, Dominguinhos partiu deixando órfãos não só uma legião de admiradores Brasil a fora, mas também a música brasileira.

Foi-se o artista Dominguinhos, mas sua obra permanecerá cada vez mais viva do que nunca assim como o legado do Rei do Baião.


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