Foto: Reprodução/Paraíba Criativa
Luiz Gonzaga, como já citado diversas vezes neste blog, foi cantado em verso e prosa por vários artistas do mais distintos estilos no Brasil e fora dele. Ainda mais quando algum(a) cantor(a) é consagrado no mesmo ritmo do Rei do Baião. E hoje, dia 05 de abril, é o aniversário de um desses expoentes musicais que é um patrimônio nacional da cultura com sua irreverência e talento: Genival Lacerda, paraibano de Campina Grande nascido nesta data em 1931.
Genival começou sua carreira ainda nos anos 50 em Pernambuco e, depois, rumou ao Rio de Janeiro tendo como orientador e inspiração outro rei, o do ritmo Jackson do Pandeiro - que também era seu concunhado na época. Forró, xote, baião, xaxado, coco e rojão com bastante duplo sentido (não confundir com a vulgaridade dos dias de hoje nas músicas) fazem parte de seu repertório nos shows e gravações até os dias atuais com seus incríveis 89 anos!
Gravou seu primeiro disco ainda em 1955 com "Coco de 56", pela gravadora Mocambo, obtendo sucesso e começando a despontar no cenário musical brasileiro. Até seguir para o sudeste ainda fez várias gravações, dentre elas "Dança do bombo" e "Balança o coco", ambas de de Antônio Barros; "Noé, Noé" e "Coco de roda", autorias de Rosil Cavalcanti; e "Tomaram o meu amor", composição sua com Antônio Clemente.
Como já dito, Genival Lacerda foi viver o Rio de Janeiro para dar continuidade à sua carreira de músico e estar mais perto das gravadoras com maior alcance no país. Na então capital federal passou a fazer apresentações em casas de shows e chegou a gravar um disco. Mas sua música estourou mesmo no Brasil inteiro a partir de 1975, quando gravou a clássica "Severina Xique-Xique" em parceria com João Gonçalves, alcançando muito sucesso com vendagem de discos à época.
Foto: Reprodução/Overmundo
Também conhecido como "Senador do Rojão", Genival Lacerda é um dos ícones da cultura popular musical brasileira por seu estilo e por sua performance nos palcos, inclusive com seu vestuário colorido, seu chapéu e quando balança a folclórica "pança" durante suas apresentações. Seu filho João Lacerda também segue os passos do pai pelos palcos do país.
Depois de "Severina Xique-Xique", o veterano forrozeiro ainda gravou outros sucessos estrondosos como "Radinho de pilha", de Nicéas Drumont e Graça Góes (1979); "Rock do Jegue", de Bráulio de Castro e Célio Roberto (1979); "Mate o véio mate", de sua autoria com João Gonçalves (1984), "Caldinho de mocotó", de sua autoria com Cecília Nena e Nicéas Drumont (1985); "Fio Dental", composição sua com Jorge de Altinho (1987); e "Carro velho é fubica", de Osmar Navarro e Graça Góes (1987) - neste disco contou com a participação dos mestres Sivuca e Dominguinhos nos arranjos e gravações; entre outros.
Também gravou e cantou ao lado de grandes nomes da música brasileira, como Marinês, Dominguinhos, Sivuca, Waldonys, Pinto do Acordeon, Ivete Sangalo, Elba Ramalho, Jackson do Pandeiro e, claro, o Rei do Baião Luiz Gonzaga, além de ter vários sucessos gravados por outros artistas e bandas.
Ao todo, Genival Lacerda gravou 52 discos em quase 70 anos de carreira e ainda participou de 3 filmes interpretando ele mesmo - "Vamos cantar disco, Baby", dirigido por J. B. Tanko (1979); "Made in Brazil", com direção de Francisco Magaldi, Carlos Nascimbeni e Renato Pitta (1985); e "Beijo 2348/72", dirigido por Walter Rogério" (1990). Além de um documentário sobre sua vida e obra em "O rei da munganga" de 2009, sob a direção de Carolina Paiva.
Foto: Reprodução/Sistema Nordeste de Notícias
Em 2017, Genival Lacerda recebeu um justíssimo reconhecimento por toda sua trajetória e pelo que significou - e ainda significa - para a arte brasileira. Recebeu das mãos do então presidente da República Michel Temer e da primeira-dama Marcela Temer a medalha de Ordem do Mérito Cultural (OMC), uma honra concedida a personalidades - brasileiras ou não - que contribuíram de forma importante para a cultura nacional.
E como todo ícone musical brasileiro que se preza, Lacerda não podia deixar de fora de seu repertório Luiz Gonzaga, já que trilhou seu sucesso nos ritmos eternizados pela voz e sanfona do Rei do Baião, assim como no pandeiro de Jackson do Pandeiro.
Genival e Gonzaga nunca gravaram juntos em disco, mas o Senador do Rojão até os dias atuais inclui em suas apresentações as músicas do sanfoneiro pernambucano.
Foto: Reprodução/Forró em vinil
Genival lacerda gravou várias músicas de Luiz Gonzaga ao longo de seus mais de 60 anos de trajetória e lançou um CD exclusivamente com a obra de Gonzagão em 2012 com a participação de vários artistas convidados e contendo 16 faixas.
Então fica aqui a nossa homenagem ao aniversariante do dia com vídeos de um de seus grandes sucessos e de obras-primas de Luiz Gonzaga.
Severina Xique-Xique - Genival Lacerda/João Gonçalves (1975)
"Quem não conheçe Severina Xique-xique,
que botou uma boutique para vida melhorar.
Pedro Caroço, filho de Zé Vagamela,
passa o dia na esquina fazendo aceno para ela.
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Antigamente Severina,
coitadinha, era muito pobrezinha,
Ninguém quis lhe namorar.
Mas hoje em dia só porque tem uma boutique,
pensando em lhe dar trambique,
Pedro quer lhe paqueirar."
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
A severina não dá confiança a Pedro,
Eu acho que ela tem medo de perder o que arranjou.
Pedro Caroço é insistente, não desiste,
na vontade ele persiste, finge que se apaixonou
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Ele tá de olho é na butique dela!
Riacho do Navio - Luiz Gonzaga/Zé Dantas (1955)
"Riacho do Navio corre pro Pajeú
O rio Pajeú vai despejar no São Francisco
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar
O rio São Francisco vai bater no mei' do mar.
Se eu fosse um peixe, ao contrário do rio
Nadava contra as águas e nesse desafio
Saía lá do mar pro Riacho do Navio
Eu ia diretinho pro Riacho do Navio
Pra ver o meu brejinho
Fazer umas caçadas
Ver as pegas de boi
Andar nas vaquejadas
Dormir ao som do chocalho
E acordar com a passarada
Sem rádio e sem notícia
Das terras civilizadas
Sem rádio e sem notícia
Das terras civilizadas"
Forró no escuro - Luiz Gonzaga/Miguel Lima (1958)
"O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
A sanfona não parou
E o forró continuou.
Meu amor não vá simbora
Não vá simbora
Fique mais um bocadinho
Um bocadinho
Se você for seu nego chora
Seu nego chora
Vamos dançar mais um tiquinho
Mais um tiquinho.
Pois quando eu entro numa farra
Num quero sair mais não
Eu vou até quebrar a barra
E pegar o sol com a mão."
São João do Carneirinho - Luiz Gonzaga/Guio de Moraes (1962)
"Eu plantei meu milho todo
No dia de São José
Se me ajuda a providência
Vamos ter milho a grané
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé
Pelos 'calco' vou colher
Vinte espiga em cada pé.
Ai, São João!
São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José
Fale lá com São José
Peça pr'ele me ajudar
Peça pro meu milho dar
Vinte espigas em cada pé."




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