sábado, 7 de março de 2020

AS MULHERES NA VIDA DO REI DO BAIÃO - AS PARCEIRAS MUSICAIS

 Foto: Autor desconhecido


Foto: Pinterest/Durval Carvalho dos Santos 


Ainda falando sobre a semana que antecede o Dia Internacional da Mulher, que acontece neste domingo 08 de março, vamos hoje tratar resumidamente de algumas mulheres muito importantes na carreira de Gonzagão. Escolhi falar de Marinês e Elba ramalho por serem as mais importantes companheiras de microfone do Rei do Baião, na minha avaliação.

Marinês, ou Inês Caetano de Oliveira nasceu em São Vicente Ferrér, Pernambuco, em 16 de novembro de 1935. Vinda de uma família humilde, foi criada em Campina Grande, na Paraíba. Filha de pai seresteiro, aos dez anos de idade participou de um programa de calouros em uma rádio paraibana, ganhando o primeiro lugar, passando a cantar na emissora.

Marinês iniciou sua carreira artística na banda Patrulha de Choque do Rei do Baião, que formou com seu marido Abdias e o zabumbeiro Cacau para se apresentar na abertura dos shows de Luiz Gonzaga, viajando o Brasil inteiro e colhendo os louros do sucesso.


Foto: Fundo Correio da Manhã


Gravou seu primeiro disco em 1956, já à frente do grupo Marinês e sua gente, com o qual se tornou nacionalmente reconhecida.  Neste mesmo ano gravou ‘Mané e Zabé” junto com Luiz Gonzaga, na primeira vez que a dupla entrava junta num estúdio. A canção que consagrou Marinês foi "Peba na pimenta", de João do Vale, José Batista e Adelino Rivera. Inclusive enveredou como atriz no filme “Rico ri à toa” em 1957, dirigido por Roberto Farias, interpretando a canção.

Foram 51 anos de carreira da Rainha do Xaxado, como ficou eternamente conhecida. Foram 36 discos gravados e inúmeras participações em outros de diversos artistas. Marinês nos deixou no dia 14 de maio de 2007 em Recife, aos 71 anos, vítima de um AVC. Deixou também um rico legado musical para o Brasil.


Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Bertioga


Já Elba Maria Nunes Ramalho, ou apenas Elba Ramalho, nascida em Conceição, Paraíba, no dia 17 de agosto de 1951, é uma das grandes cantoras da história de nossa música, fazendo sucesso até hoje. Filha de um proprietário de cinema e teatro na cidade de campina grande, Elba teve essa grande influência para o mundo das artes desde criança. E desde muito nova já despontava seu dom para a música.

Deu seus primeiros passos nas artes nos anos 60 como atriz de teatro e seguiu nesse filão até os anos 70. Em 1968 apareceu tocando bateria no grupo “As brasas” e até hoje está na ativa como cantora. 

Elba Ramalho é uma multipremiada cantora que consegue enveredar por diversos ritmos com a mesma maestria, desde a música mais urbana até os ritmos mais festivos e regionais, como frevo, marchinhas, forró, xaxado, baião, xote, entre outros. Não à toa foram vários prêmios durante seus mais de 40 anos de carreira e hoje está no primeiro time de músicos da MPB. É também considerada uma herdeira musical de Marinês.

Segundo suas palavras, Luiz Gonzaga a tinha como filha e a chamava de cachacinha. Ambos realmente tinham uma relação de muita proximidade e notava-se o carinho paterno de Gonzagão para com a paraibana. Tanto que o filho de Elba com o ator Maurício Mattar, Luã, nasceu em Campina Grande em plenos festejos juninos de 1987 onde se apresentou horas antes com Gonzaga e Dominguinhos. Luiz Gonzaga, inclusive, foi escolhido padrinho da criança. 

Abaixo, duas músicas marcantes da parceria Marinês/Elba Ramalho com o Rei do Baião.




Sanfoninha choradeira - Luiz Gonzaga/João Silva (1984) - part. Elba Ramalho

"Chora, sanfoninha, chora, chora
Chora, sanfoninha, a minha dor
Minha sanfoninha amiga certa
Que chorando tu desperta
O coração do meu amor.

E ela tá me vendo
Tá fingindo que não tá
Tá me querendo
Tá fingindo que não tá
Coração batendo
Tá fingindo que não tá
Tá batendo, tá morrendo
Mas não quer se declarar."




Mané e Zabé - Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1956) - part. Marinês

"Ô, Zabé, Zabé, Zabé
Zabé, Zabé, dez veiz Zabé
Ô, Zabé, Zabé, meu bem
Eu chamo tanto e Zabé não vem

Ô, Zabé, não quero me humilhar
Mas amor depois da briga
É gostoso pra danar
É o mel que cai na boca
De quem comeu saburá
É chuva depois das secas
Nas terras do Ceará
Por isso minha Zabezinha
Não canso de te chamar
Ôi Zabé, Ôi Mané, Ôi Zabé, Ôi Mané
Ôi Zabé, Ôi Mané

Ô, Mané, Mané, Mané
Mané, Mané, dez veiz Mané
Ô, Mané, Mané meu bem
Eu chamo tanto
E Mané não vem

Ô, Mané, não quero me humilhar
Mas amor depois da briga
É gostoso pra danar
É o mel que cai na boca
De quem comeu saburá
É chuva depois das secas
Nas terras do Ceará
Por isso meu Manezinho
Não canso de te chamar

Ô Mané, ôi Zabé
Ô Mané, ôi Zabé
Ô Mané, ôi Zabé"

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