segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O SONHO DE INFÂNCIA REALIZADO

Foto: Autor desconhecido


Luiz Gonzaga tinha desde a infância o desejo de se tornar um artista famoso com sua sanfona. Após sua fuga de casa, sua passagem pelo Exército e sua aventura pelo baixo meretrício e casas noturnas do Rio de Janeiro, o sonho havia sido alcançado. Era famoso, talentoso e requisitado. Então o que faltava mais para Lua? Cantar... 

Nos contratos que mantinha com as rádios e com as gravadoras não lhe era permitido cantar suas músicas, e isso lhe frustrava muito. Até que certa vez, em 1945, Gonzaga usou a criatividade para ludibriar o então diretor da RCA Victor, que era um dos que achava que o sanfoneiro não tinha voz para a cantoria, Vitório Lattari. Chegou à sala de Lattari afirmando que estava de saída para a concorrente Odeon, pois lá tinham lhe garantindo a oportunidade de gravar como cantor. Era um blefe!

O diretor acreditou e, temendo perder o artista que já era um sucesso de vendas de discos, rendeu-se aos seus pedidos. Em 11 de abril daquele ano, o então Rei da Sanfona entrou nos estúdios para gravar sua primeira música como cantor, a mazurca "Dança Mariquinha", de sua autoria em parceria com o letrista Miguel Lima. O sonho do garoto do sopé da serra do Araripe estava, enfim, totalmente realizado!

Confira abaixo a primeira gravação cantada da carreira de Gonzaga na voz de Socorro Lira e na sanfona de Oswaldinho do Acordeon, durante apresentação do "Samba do Rei do Baião" na Virada Cultural de São Paulo em 2013. Constam ainda no grupo Osvaldinho da Cuíca, Papete, Jorge Ribbas, Cado Valverde, Ana Eliza Colomar, Rosa Macedo e Cidão 7 Cordas.




Dança Mariquinha - Luiz Gonzaga/Miguel Lima (1945)

"Dança, dança, Mariquinha 
Para o povo apreciar 
Essa boa mazurquinha 
Que pra você vou cantar 
Ouça, meu bem a sanfona tocar 

Quitiribom, quitiribom, 
Tocar no baixo desse acordeon 
Quitiribom, quitiribom, 
Que mazurquinha 
Que compasso bom! 

Quando pego na sanfona 
A turma se levanta 
E pede uma mazurca 
Quando bato a mão no fole 
Sei que a turma toda vai ficar maluca 

Todo mundo se admira 
Com fraseado que a sanfona diz 
Quando acaba a contradança 
O povo admirado ainda pede bis."



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