Arte: Neli Neto
Chegou o período mais nordestino do ano, tempo de festas juninas. Tradicional época de muita música, brincadeiras e comidas típicas tão relevadas na obra do Rei do Baião. Não à toa era filho de um puxador de fole que fazia muito sucesso no pé da serra do Araripe, principalmente nesse mês.
Em junho, tradicionalmente, as festas se dão nas vésperas dos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro - 12, 23 e 28 respectivamente -, santos da Igreja Católica. É tempo de milho, canjica, pamonha, munguzá, pé-de-moleque, arroz doce, bolos diversos, quentão, entre outras iguarias da culinária do Nordeste. Sem esquecer das fogueiras, bandeirolas, brincadeiras, quadrilhas e fogos de artifícios. Pena tais tradições estarem sendo esquecidas nos últimos tempos e uma completa deturpação do espírito junino conforme podemos conferir no post anterior.
A história dos festejos remontam ao período Pré-Gregoriano como uma comemoração pagã em reverência à fertilidade e à boa colheita nas lavouras nos solstícios de verão. Por ser um período com temperaturas mais baixas a fogueira acabou sendo introduzida para aquecer o povo do frio. Sempre acontecendo em meados do dia 24 de junho, o dia de São João para nós brasileiros.
Mas antes de reverenciarem os santos do mês as festas eram chamadas de Joaninas em homenagem à João Baptista, o homem que batizou Jesus Cristo segundo a Bíblia. Porém, com o tempo transformou-se numa comemoração do catolicismo para os padroeiros já citados. Aqui para o Brasil foram trazidas pelos colonizadores portugueses e rapidamente se tornaram populares de norte a sul do país. Contudo, foi no Nordeste que o mês junino enraizou-se na cultura local.
Foto: André Hilton/TV Asa Branca
Luiz Gonzaga nasceu e cresceu num berço que contemplava ativamente os dias de junho, pois Januário, seu pai, como bom tocador de fole da região de Exu/PE animava os terreiros do sertão durante todo o mês com seu pé de bode de 8 baixos. Na sua obra está bastante presente a reverência ao período mais nordestino do país, com clássicos como "São João na roça", "Olha pro céu", "Noites brasileiras", "Fogo sem fuzil", "São João sem futrica", entre outros.
Podemos facilmente afirmar que as festas juninas hoje têm como padrinho Luiz Gonzaga, o maior responsável pela sua popularização e por sempre levar o nome do seu Nordeste a todos os lugares do Brasil.
Infelizmente com o passar dos anos a tradição dos festejos de junho vem sendo deixada de lado. Os forrós de verdade vêm perdendo espaço para ritmos musicais que nada têm a ver com obra do Rei do Baião, fora os artistas que se apresentam no período nas cidades que também não têm nada a ver com a legítima cultura junina.
De um lado ainda persistem os seguidores fiéis da obra do Rei que militam na sua música eternizada. Essa sim a verdadeira tradição musical das festas juninas. Do outro, os que insistem em deturpar a musicalidade do Velho Lua, empregando à sonoridade tão característica do baião e do forró instrumentos que em pouco ou nada se relacionam com o estilo empregado pelo sanfoneiro. Além disso, as letras estão ficando cada vez mais obscenas em cada estrofe. O duplo sentido sempre fez parte da cultura musical brasileira, mas a diferença está no grau de vulgaridade imposto nas gravações.
Em todo caso, respeitando-se os gostos, fica o legado imensurável deixado por Luiz Gonzaga não só para a música brasileira, mas para o folclore de nosso país! No vídeo abaixo a clássica "Fogueira de São João", composta por Gonzagão e Carmelina em 1962, para começarmos a entrar no verdadeiro ritmo junino. Viva Santo Antônio, São João e São Pedro! Ah, e não esqueçamos: #DevolvaMeuSaoJoao!
Podemos facilmente afirmar que as festas juninas hoje têm como padrinho Luiz Gonzaga, o maior responsável pela sua popularização e por sempre levar o nome do seu Nordeste a todos os lugares do Brasil.
Infelizmente com o passar dos anos a tradição dos festejos de junho vem sendo deixada de lado. Os forrós de verdade vêm perdendo espaço para ritmos musicais que nada têm a ver com obra do Rei do Baião, fora os artistas que se apresentam no período nas cidades que também não têm nada a ver com a legítima cultura junina.
De um lado ainda persistem os seguidores fiéis da obra do Rei que militam na sua música eternizada. Essa sim a verdadeira tradição musical das festas juninas. Do outro, os que insistem em deturpar a musicalidade do Velho Lua, empregando à sonoridade tão característica do baião e do forró instrumentos que em pouco ou nada se relacionam com o estilo empregado pelo sanfoneiro. Além disso, as letras estão ficando cada vez mais obscenas em cada estrofe. O duplo sentido sempre fez parte da cultura musical brasileira, mas a diferença está no grau de vulgaridade imposto nas gravações.
Em todo caso, respeitando-se os gostos, fica o legado imensurável deixado por Luiz Gonzaga não só para a música brasileira, mas para o folclore de nosso país! No vídeo abaixo a clássica "Fogueira de São João", composta por Gonzagão e Carmelina em 1962, para começarmos a entrar no verdadeiro ritmo junino. Viva Santo Antônio, São João e São Pedro! Ah, e não esqueçamos: #DevolvaMeuSaoJoao!
Fogueira de São João - Luiz Gonzaga/Carmelina (1962)
"Na fogueira de São João
Eu quero brincar
Quero soltar meu balão
E uns foguinhos queimar.
Seu Januário
Venha ser o meu parceiro
Não esqueça a sanfona
Para animar o terreiro.
Traga a famia
Que nós têm muito prazer
De dançar com suas fia
Até o dia amanhecer."
"Na fogueira de São João
Eu quero brincar
Quero soltar meu balão
E uns foguinhos queimar.
Seu Januário
Venha ser o meu parceiro
Não esqueça a sanfona
Para animar o terreiro.
Traga a famia
Que nós têm muito prazer
De dançar com suas fia
Até o dia amanhecer."
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=BKrXfVFBfcU


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