Foto: Autor desconhecido
A sanfona é o instrumento musical oficial do Nordeste, digamos assim. Desde os anos 40 que ela tomou uma roupagem que a identificou como tipicamente nordestina. Porém, esta gaita composta por um fole, palhetas livres e duas caixas harmônicas de madeira tem muita história pra contar ao longo dos séculos.
Desde a época antes de Cristo que os primeiros instrumentos de sopro foram inventados e utilizados para acompanhar cerimônias e festejos diversos. O primeiro registro de algo desse tipo vem da China, há milênios, com o sheng (imagem abaixo), que consiste em um tipo de órgão tocado pela boca e foi o precursor do harmônio e do acordeom atual que conhecemos por se utilizar de palhetas.
Arte: Pinterest
Do leste para o oeste, mais precisamente na Alemanha no final do século XVIII, o fabricante de instrumentos musicais Christien Buschmann idealizou reunir todas as palhetas do sheng afinadas e fixadas numa placa formando uma escala de sons que se faziam ouvir através do sopro. No século seguinte, mais precisamente em 1820, Buschmann teve nova ideia: transformar essa placa num instrumento musical para crianças que poderia ser tocado com as duas mãos. A essa invenção o fabricante deu o nome de harmônica de mão e começou a ser produzida para venda dois anos depois.
Foto: Blog Acordeon Cromo Diatônico
A sanfona é composta pelos teclados de um lado e os baixos do outro. Existe em versões desde 8 (foto acima) até 120 baixos e pode ter vários nomes populares. Pode ser chamada de acordeom, concertina, fole, pé de bode (a de oito baixos), entre outros. Costuma-se usar o nome de acordeom fora do Brasil e aqui para eventos musicais mais específicos como recitais, tangos, valsas, regências sinfônicas e etc. Já os demais são conhecidos com maior força no Norte e no Nordeste para se tocar os bons e velhos forrós, xotes, xaxados, baiões e outros.
No Brasil a sanfona, ou acordeom, chegou no século XIX e era bastante utilizada para se tocar fados, valsas, boleros e tangos. Porém, nessa mesma época já era usada nos interiores do Nordeste - em maior escala a pé de bode - pelos tocadores. Dentre eles Januário, o pai de Luiz Gonzaga.
A partir dos anos 40, então, o fole foi popularizado nas mãos do Rei do Baião quando gravou "Vira e Mexe". E até hoje é o símbolo maior da cultura musical nordestina. Gonzaga desde novo teve relação íntima com a sanfona. Como já dito seu pai era tocador de oito baixos e ainda afinava instrumentos em sua oficina domiciliar. Com 12 anos já animava "sambas" no pé da Serra do Araripe ao lado do velho Januário e daí por diante tornou-se o grande inovador no manejo do acordeom.
Gonzagão nunca foi um virtuose na sanfona. Os "craques" dos teclados e baixos foram/são Dominguinhos, Sivuca, Adelaide Chiozzo, Osvaldinho, Camarão, Arlindo dos 8 baixos, Waldonys, Lucy Alves entre muitos outros. Entretanto, como citado, foi um inovador no estilo de tocar o instrumento e criando/reinventando ritmos musicais que estão na história da música brasileira.
Várias foram as músicas gravadas por Luiz Gonzaga que tinham como mote sua grande companheira da vida. E aqui nesta postagem mostramos "Engabelando", uma verdadeira declaração de amor do Rei por sua musa inspiradora em quase 70 anos nos botões de uma sanfona.
Engabelando - Cecéu/Bella Maria (1986)
"A gente se namora
Desde o tempo de criança
Ainda guardo na lembrança
Ainda guardo na lembrança
Quando a gente se via
Era aquela agonia
Era aquela agonia
Me pegue e me toque
Meu amor me toque
Meu amor me toque
Até amanhecer o dia
Essa alegria ainda é do mesmo jeito
Ela vive no meu peito
Que é bom e não se abandona
Não se abandona
Não se abandona
Quem é que não se engabela nos botões de uma sanfona?
Nos botões de uma sanfona?
Quem é que não se engabela nos botões de uma sanfona?
Nos botões de uma sanfona?
Por isso eu gosto dela
Arrepiado por ela
Pra todo canto que eu vou
Ela também vai de carona
Pra todo canto que eu vou
Ela também vai de carona
Vai de carona
Vai de carona
Encosto ela no bucho
Castigo no repuxo
Faço aquele chamego
Faço aquele chamego
E a gente nunca se abandona
Não se abandona
Não se abandona
Quem é que não se engabela nos botões de uma sanfona?
Nos botões de uma sanfona?"
Quem é que não se engabela nos botões de uma sanfona?
Nos botões de uma sanfona?"
Link do vídeo: https://youtu.be/CrcWqpbJAkc



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