terça-feira, 13 de dezembro de 2016

GONZAGÃO 104 ANOS

Imagem: Reprodução/Youtube


Há exatos 104 anos nascia o expoente maior da música brasileira, no sopé da Serra do Araripe em Exu/PE. Na madrugada do dia 13 de dezembro vinha ao mundo um futuro rei, filho de Januário e Santana. 

E foi naqueles tempos difíceis em diversos aspectos, na Fazenda Caiçara, que nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento. Como já é bem conhecido, o nome Luiz foi proveniente de uma sugestão do vigário do local, já que era dia de Santa Luzia, comemorado naquela data; Gonzaga por conta do sobrenome de São Luiz; por fim Nascimento, que representava o nascimento de Jesus Cristo em dezembro. A partir daí começava a trajetória de um dos maiores nomes da história da cultura brasileira. Seu sucesso, segundo relatos de parentes, foi previsto por ciganas de passagem pelo povoado, que disseram à Santana “que ele seria do mundo, andaria tanto que criaria feridas nos pés”. 

O resto da história já se sabe muito bem...

A música abaixo chama-se "Treze de dezembro", composição musical de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e letra de Gilberto Gil, que homenageia a data histórica. A gravação original instrumental é de 1953. A voz é da sensacional Elba Ramalho.



Treze de dezembro - Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Gilberto Gil (1953 - original)


"Bem que esta noite eu vi gente chegando
Eu vi sapo saltitando
E ao longe ouvi o ronco alegre do trovão

Alguma coisa forte pra valer.
Estava para acontecer na região
Quando o galo cantou 
O dia raiou eu imaginei

É que hoje é treze de dezembro 
E a treze de dezembro
Nasceu nosso rei.

O nosso rei do baião
A maior voz do sertão
Filho do sonho de D. Sebastião
Como fruto do matrimônio
Do cometa Januário
Com a estrela Santana
Ao nascer da era de Aquário
No cenário rico das terras de Exu
O mensageiro nu dos orixás

É desse treze de dezembro
Que eu me lembrarei 
E sei que não me esquecerei jamais."




Foto: Chico Albuquerque/Acervo IMS


O Rei do Baião deixou seu legado cultural e influenciou diretamente a música popular brasileira reinventando ritmos, criando outros, dando uma nova cor ao cancioneiro regional. O ritmo envolvente do estilo eternizado pelo sanfoneiro, com a simples formação sanfona, zabumba e triângulo, convida todos a dançar, mesmo fora do período do carnaval. 

O Velho Lua interferiu decisivamente na trajetória musical do país ao introduzir no cenário nacional os ritmos do Nordeste – toadas, xotes, chamegos, baiões, xaxados, marchinhas, maracatus, emboladas, etc. Com sua musicalidade moldou a identidade nordestina no imaginário do Brasil, imprimindo ao acordeon das valsas e tangos, a partir da década de 1940, um novo estilo sonoro. E esta identidade nordestina acabou por influenciar – e atrair – várias gerações ao longo do tempo.

Hoje, treze de dezembro, é o Dia Nacional do Forró, instituído pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, nordestino e também admirador da arte local, através da lei nº 11.176 de 06 de setembro de 2005.

Abaixo, uma linda e emocionante homenagem do também brilhante Gilberto Gil, um grande admirador da rica obra de Gonzagão, que fez parte da introdução ao filme "Gonzaga - de pai pra filho".




No mundo da Lua - Gilberto Gil (2012)


"Se um milagre acontecesse de eu voltar
 E o meu vulto aparecesse no sertão 
E o povo me pedisse pra cantar 
E na hora me falt e o vozeirão 

Se o milagre acontecesse de eu voltar 
Sem poder sair cantando por aí 
Juro que eu pedia a Deus pra me poupar 
De um milagre assim tão besta, tão chinfrim

Neste céu não sinto inveja dos morenos 
A dançar seus cocos e maracatus 
Um consolo neste mundo onde sou não
É saber que aí na terra ainda sou sim
Que o Baião tá vivo no seu coração 
Que a canção do povo alegre não tem fim 

Afinal de contas se ainda sou rei
É porque na terra tudo é tão real 
E o povo canta o canto que eu cantei 
Não importa o certo e o errado, o bem e o mal 
Que vocês ainda possam me escutar 
Através das minhas velhas gravações 

É sinal de que o mundo vai continuar 
A viver de mitos, sonhos e paixões."



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