Imagem: Reprodução/Youtube
Há exatos 104 anos nascia o expoente maior da música brasileira, no sopé da Serra do Araripe em Exu/PE. Na madrugada do dia 13 de dezembro vinha ao mundo um futuro rei, filho de Januário e Santana.
E foi naqueles tempos difíceis em diversos aspectos, na Fazenda Caiçara, que nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento. Como já é bem conhecido, o nome Luiz foi proveniente de uma sugestão do vigário do local, já que era dia de Santa Luzia, comemorado naquela data; Gonzaga por conta do sobrenome de São Luiz; por fim Nascimento, que representava o nascimento de Jesus Cristo em dezembro. A partir daí começava a trajetória de um dos maiores nomes da história da cultura brasileira. Seu sucesso, segundo relatos de parentes, foi previsto por ciganas de passagem pelo povoado, que disseram à Santana “que ele seria do mundo, andaria tanto que criaria feridas nos pés”.
O resto da história já se sabe muito bem...
A música abaixo chama-se "Treze de dezembro", composição musical de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e letra de Gilberto Gil, que homenageia a data histórica. A gravação original instrumental é de 1953. A voz é da sensacional Elba Ramalho.
Treze de dezembro - Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Gilberto Gil (1953 - original)
"Bem que esta noite eu vi gente chegando
Eu vi sapo saltitando
E ao longe ouvi o ronco alegre do trovão
Alguma coisa forte pra valer.
Estava para acontecer na região
Quando o galo cantou
O dia raiou eu imaginei
É que hoje é treze de dezembro
E a treze de dezembro
Nasceu nosso rei.
O nosso rei do baião
A maior voz do sertão
Filho do sonho de D. Sebastião
Como fruto do matrimônio
Do cometa Januário
Com a estrela Santana
Ao nascer da era de Aquário
No cenário rico das terras de Exu
O mensageiro nu dos orixás
É desse treze de dezembro
Que eu me lembrarei
E sei que não me esquecerei jamais."
Link do vídeo: https://youtu.be/2iQuKXn_2LU
Foto: Chico Albuquerque/Acervo IMS
O Rei do Baião deixou seu legado cultural e influenciou diretamente a música popular brasileira reinventando ritmos, criando outros, dando uma nova cor ao cancioneiro regional. O ritmo envolvente do estilo eternizado pelo sanfoneiro, com a simples formação sanfona, zabumba e triângulo, convida todos a dançar, mesmo fora do período do carnaval.
O Velho Lua interferiu decisivamente na trajetória musical do país ao introduzir no cenário nacional os ritmos do Nordeste – toadas, xotes, chamegos, baiões, xaxados, marchinhas, maracatus, emboladas, etc. Com sua musicalidade moldou a identidade nordestina no imaginário do Brasil, imprimindo ao acordeon das valsas e tangos, a partir da década de 1940, um novo estilo sonoro. E esta identidade nordestina acabou por influenciar – e atrair – várias gerações ao longo do tempo.
Hoje, treze de dezembro, é o Dia Nacional do Forró, instituído pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, nordestino e também admirador da arte local, através da lei nº 11.176 de 06 de setembro de 2005.
Abaixo, uma linda e emocionante homenagem do também brilhante Gilberto Gil, um grande admirador da rica obra de Gonzagão, que fez parte da introdução ao filme "Gonzaga - de pai pra filho".
No mundo da Lua - Gilberto Gil (2012)
"Se um milagre acontecesse de eu voltar
E o meu vulto aparecesse no sertão
E o povo me pedisse pra cantar
E na hora me falt e o vozeirão
Se o milagre acontecesse de eu voltar
Sem poder sair cantando por aí
Juro que eu pedia a Deus pra me poupar
De um milagre assim tão besta, tão chinfrim
Neste céu não sinto inveja dos morenos
A dançar seus cocos e maracatus
Um consolo neste mundo onde sou não
É saber que aí na terra ainda sou sim
Que o Baião tá vivo no seu coração
Que a canção do povo alegre não tem fim
Afinal de contas se ainda sou rei
É porque na terra tudo é tão real
E o povo canta o canto que eu cantei
Não importa o certo e o errado, o bem e o mal
Que vocês ainda possam me escutar
Através das minhas velhas gravações
É sinal de que o mundo vai continuar
A viver de mitos, sonhos e paixões."
Link do vídeo: https://youtu.be/-8TT3sLuyyo


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