terça-feira, 2 de agosto de 2016

HÁ 27 ANOS O REI NÃO VOLTOU MAIS

Foto: Reprodução/Youtube


Num 02 de agosto, há exatos 27 anos, o Brasil e o mundo viam se calar uma das grandes vozes da música, que encantou gerações por cinco décadas e ainda encanta as novas até hoje.

O ano de 1989, que marcaria a despedida do Rei do Baião, foi muito difícil para o sanfoneiro de Exu. Em abril, com o mal em seu estágio mais avançado, teve que se submeter a uma cirurgia no fêmur para implantação de uma prótese. A partir de então não conseguia mais se locomover sem o auxílio de cadeiras de rodas. 

Em 06 de junho, já bastante debilitado, fez a última apresentação de sua vida no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Recife. O show foi uma homenagem ao eterno Rei do Baião promovido por Marinês, Dominguinhos, Alceu Valença e Gonzaguinha. Luiz Gonzaga também chamou seu último parceiro João Silva, com o qual fez 187 composições, sendo o recordista dentre todos os que acompanharam o sanfoneiro em sua carreira. Chorou depois que foi aplaudido de pé por mais de duas mil pessoas.

Apesar de todo o sofrimento pelo qual passava, Luiz Gonzaga tinha a agenda lotada de shows durante as festas juninas daquele ano. Entretanto, no dia 21 de junho foi admitido no hospital Santa Joana, na capital pernambucana, em estado grave com um quadro de pneumonia e infecção urinária em consequência do câncer. Durante 42 dias Gonzaga lutou contra a morte, mas na madrugada do dia 02 de agosto a batalha fora perdida e o coração do sanfoneiro parou de bater.


Arte: Norteandovoce.com.br


Luiz Gonzaga foi velado e reverenciado por uma multidão incalculável de admiradores em Recife, Juazeiro do Norte e, finalmente, Exu, onde foi sepultado no dia 04 no cemitério local. O mundo viu se calar a voz do cantador do sertão brasileiro, mas a sanfona com sua arte continua a tocar até os dias atuais. Seu legado ficou para toda uma geração que veio e está por vir. 

Vários de seus contemporâneos do meio musical tiveram na arte deixada por Luiz Gonzaga um alicerce para suas carreiras, que serviu para continuar o trabalho do sanfoneiro e formar uma nova legião de admiradores e novos músicos que nunca tiveram contato pessoal com o Rei do Baião, mas que passaram a admirar e a pôr em prática sua rica obra.

Gonzagão deixou seu legado cultural e influenciou diretamente a música popular brasileira reinventando ritmos, criando outros, dando uma nova cor ao cancioneiro regional. O ritmo envolvente do estilo eternizado pelo sanfoneiro, com a simples formação sanfona, zabumba e triângulo, convida todos a dançar, mesmo fora do período do carnaval. Representante maior da música popular nordestina, o "Velho Lua" interferiu decisivamente na trajetória musical do país ao introduzir no cenário nacional os ritmos do Nordeste – toadas, xotes, chamegos, baiões, xaxados, marchinhas, maracatus, emboladas, etc. 

Com sua musicalidade moldou a identidade nordestina no imaginário do Brasil, imprimindo ao acordeon das valsas e tangos, a partir da década de 1940, um novo estilo sonoro. E esta identidade nordestina acabou por influenciar – e atrair – várias gerações ao longo do tempo.

Inúmeras homenagens desde sua passagem foram feitas ao mestre maior da música nordestina. Seja com composições, documentários, reportagens, filme e até enredo vencedor de escola de samba do Rio de Janeiro. Todas de suma importância para a continuidade do legado do "Velho Lua". No vídeo a seguir uma delas, que considero uma das mais bonitas, gravada originalmente em 1997 por dois de seus grandes súditos - Fagner e Flávio José - e composta por outro renomado seguidor do Rei, Pinto do Acordeon. Aqui, tocada e cantada por Júnior Limeira, expressando numa linda canção toda a tristeza do pé de serra, da asa branca, das juritis, dos retirantes, do Nordeste, do Brasil e da arte brasileira. Pois Luiz não voltou mais...




Cartinha pra Seu Luiz - Pinto do Acordeon (1997) - cantada por Júnior Limeira


"Velho, que saudade de você!
Seu pé de serra está tão triste
Pois você não voltou mais.

Chora a asa branca
Choram as juritis
Ai, quanta saudade, Seu Luiz!

Chora a asa branca
Choram as juritis
Ai, quanta saudade, Seu Luiz!

Velho, se eu tivesse um mensageiro
Eu escrevia uma cartinha pra você dizendo assim

Como forrozeiro ainda canto o seu baião
Alegrando a nossa noite de São João

Bravo Luiz!
Deus que te guarde feliz!
Todo nordestino canta e diz!"




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