quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

BAIÃO JAPONÊS

Foto: Reprodução


Nos tempos em que internet era coisa de ficção científica e a comunicação era algo muito precário nesse país, havia ainda aquelas pessoas que se destacavam além das fronteiras brasileiras. 

Foi assim com Carmem Miranda, Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim, entre outros. E nesse seleto rol de "internacionais", obviamente, está o nosso maior expoente da música regional brasileira, o Rei do Baião Luiz Gonzaga.

Gonzaga estourou na música pra valer no ano de 1945, mas em 1951 suas obras já ganhavam as asas da "Asa Branca" pelo mundo a fora na voz da portuguesa Ester de Abreu, com a música "Ai, ai, Portugal", de Gonzaga e Humberto Teixeira.

Como já dito, num tempo em que as comunicações eram feitas via rádio, telex, cartas ou ligações telefônicas de péssima qualidade, um artista brasileiro ter sua música tocada em outros países era um feito gigantesco. Porém, Gonzagão conseguiu uma proeza maior ainda. O som de sua sanfona chegou ao outro lado do mundo, mais precisamente no Japão no ano de 1956. 

Com o apoio do produtor japonês Kikuo Furano, que se encantou com a toada da dupla Gonzaga-Humberto Teixeira, a cantora Keiko Ikuta gravou um disco com duas músicas: "Paraíba" e "Baião de dois". Furano, inclusive foi parceiro de Teixeira em "Tókio Baião" cantada pela própria Keiko também em 1956,

Keiko Ikuta nasceu no ano de 1928 no Japão. Começou sua carreira em 1949 e, sete anos depois, estava nos estúdios da RCA no Rio de Janeiro gravando o baião em japonês. Faleceu em 1995, aos 68 anos.

Mais uma grande prova de que Luiz Gonzaga realmente levou a cultura regional brasileira a patamares jamais imagináveis, ainda mais em uma época com tão pouco avanço tecnológico.

Confira abaixo a adaptação de Kikuo Furano para o baião "Paraíba" (1952) na voz de Keiko Ikuta.





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