quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ELES CANTAM GONZAGÃO

Imagem: reprodução



Na década de 60 Luiz Gonzaga começava a voltar aos holofotes da grande mídia da época, já que com o advento dos novos ritmos da Bossa Nova e Jovem Guarda o baião perdera um pouco do seu espaço no início desse período nos grandes centros urbanos - mas não no interior do Brasil.

Entretanto, essa mesma turma jovem que contemplava os novos sons, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, entre outros, bebia da fonte do sanfoneiro de Exu. Em diversas entrevistas os próprios Caetano e Gil fizeram questão de citar Luiz Gonzaga como um dos grandes precursores da cultura musical brasileira e um de seus grandes inspiradores.

Para Gilberto Gil o baião é um dos grandes representantes da musicalidade deste período como fonte de inspiração, à frente de toda uma família de derivados, não só do Nordeste como de outras regiões do país, passa a se constituir no principal gênero da nossa música popular, depois do samba.

Uma grande prova da reverência desses então jovens artistas foi um disco de Caetano Veloso, que estava vivendo em Londres, na Inglaterra, como exilado pela ditadura militar no Brasil. Caetano gravou o álbum todo em inglês com composições de sua autoria – exceto uma: Asa Branca, cantada em português. Confira no vídeo abaixo.





Asa Branca - Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga (1947)


"Quando oiei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espaiar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu?
Que eu voltarei, viu, meu coração?
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, vium meu coração?"


Link do vídeo: http://youtu.be/Oh-i7oir72w

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